terça-feira, 21 de setembro de 2010

Pé-sujo dos livros

 Tela Iman Maleki.

Leitores inveterados, obsessivos, pesquisadores, sem-grana e curiosos vão aos sebos da cidade onde moram e esquecem do tempo descobrindo exemplares que nem planejavam comprar, mas que uma vez descobertos viram objetos de desejo. Sebos – incluindo as feiras do livro – têm isso de bom: além de gastar muito menos, com sorte a gente encontra aqueles esgotados sem chance de nova edição. Em matéria de clima e rituais, o bom sebo está para a livraria assim como o pé-sujo está para o bar da moda.
As bibliotecas podem quebrar bons galhos sem despesa ou quase. Mas o livro que você traz pra casa não vai dormir em sua estante por mais de quinze dias. E se daí a três, quatro meses ou até alguns anos depois você ou alguém próximo precisar dele? E se te der uma louca vontade de rever aquele personagem, ouvir a música daquele texto? Livro é um objeto um pouco misterioso e tem isso em comum com as pessoas: se você for além da capa e tiver a curiosidade de conhecer o que existe dentro dele, pode ter boas surpresas. Por isso tudo, às vezes deixa saudades.

10 comentários:

Maria Teresa disse...

Adorei a comparação: ir além da capa é exatamente o que se deve fazer com livros e com pessoas. Filosofia de quem não se conforma com livros nunca abertos empoeirados e com pessoas apenas etiquetadas.
Beijos

Domingos Barroso disse...

Estou (ao mesmo tempo)
esvaziando-me a mente
e refazendo minha
mísera biblioteca.

Por enquanto,
fora os clássicos:
só tenho "O Menino do Dedo Verde"

(é muito bom compartilhar contigo
todo o deleite da tua sensibilidade).

Carinhoso abraço.

Halem Souza disse...

Curioso: aqui em BH chamamos esses bares sem badalação de "copo-sujo".

Os sebos daqui são horríveis, caros e os vendedores não têm alma de livreiros.

Mas concordo contigo: se há dinheiro pra adquirir o livro (qualquer livro) não perca a oportunidade. Nunca se sabe quando ele será preciosamente necessário de pronto.

Um abraço.

Graça Pires disse...

Adoro comprar livros mesmo e segunda mão. E não gosto de me desfazer deles...
Beijos.

Zélia Guardiano disse...

Muito bom, Dade!
Boa comparação!
E que os livros têm de dormir na nossa estante, isso tem...
Beijo, amiga!

Naty e Carlos disse...

O amor nasce de um beijo, cresce de um sorriso, alimenta-se de um carinho e ressuscita de um perdão."
Uma boa semana
Bjs com carinho

Gerana Damulakis disse...

É isto. Tem algo melhor que um sebo?

Aline V. disse...

Eu já cheguei a comprar dez livros de uma vez em um sebo. Sou realmente uma maníaca. Só não vou mais por meu dinheiro não ser interminável, porque a vontade de comprar livros é. Comprei um do Fernando Sabino, O Menino no Espelho, que pertenceu à alguma criança, e tem algumas coisas escritas com aquela caligrafia meio torta e pueril. É uma graça! Só de imaginar a criança lendo...
Esses livros de sebo revelam muito mais do que o conteúdo literário, não é?

Halem Souza disse...

Dade, mil perdões, mas só passei aqui pra informar que tem um acréscimo de informação ao seu comentário lá no Sinistras. Um abraço.

Marcelo F. Carvalho disse...

Pé-sujo e sebo são sagrados! Tinha um muito bom perto de onde moro, na Baixada, mas internet e shopping acabaram com o cheiro misterioso de pó e literatura.