terça-feira, 7 de setembro de 2010

De detalhes e vinhos

O que se quer dizer é sempre o indizível. Por isso a gente nunca para de falar, inscrever, escrever ou pichar, entre outras coisas. Se prestarmos atenção a nossas próprias frases, podemos descobrir coisas muito interessantes quanto aos sentidos que podem ter e que nos escapam se estivermos dispersos. Pode ser revelador, por exemplo, perceber de quantas maneiras uma fala nossa poderia ser interpretada.

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Sou mais feliz quando posso buscar novos ângulos e inventar novos meios de fazer as coisas. Mesmo as tarefas mais chatas têm sempre um jeito menos desagradável de realizar – ouvindo música, aproveitando os gestos para se exercitar ou alongar ou, dependendo das possibilidades, cantando ou dançando, o que é sempre uma delícia.

O mais difícil de tudo é aprender a jogar bem o próprio jogo. As regras são sempre meio obscuras.

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Amar exige tanto da gente que, se a gente não se amar o bastante, não aguenta.



Há pessoas espumantes, leves e doces. Há gente frutada, gente encorpada, madeirada, concentrada. Uns irradiam calor e conforto orgânico. Outros provocam dor de cabeça, acidez e gastralgia. E há pessoas que quanto mais vivem, melhor aprendem a viver. A gente humaniza muito os vinhos.

11 comentários:

Jorge Pimenta disse...

já viste sideways? é a versão para cinema do que falas neste post. lindo de mais! tenho uma crónica no viagens sobre o filme.
um abraço!

Aline V. disse...

A comparação com o vinho foi genial. É exatamente isso!

Graça Pires disse...

"Amar exige tanto da gente que, se a gente não se amar o bastante, não aguenta" Não posso estarmais de acordo...
Um beijo, amiga.

Marcelo Novaes disse...

Dade,



Tantas uvas, tantos solos, tantas nuances...






Um beijo.

Zélia Guardiano disse...

Muito, muito interessante, Dade!
Que idéia espetacular esta de, digamos, classificar pessoas como se fossem vinhos...
Gostei demais!
Abraço e beijinhos...

Gerana Damulakis disse...

Excelentes comparações.
E, sobre o amor, verdade pura.

Maria Teresa disse...

Dizer, fazer, amar, tudo isso separado e tudo junto, como os elementos do vinho. Em diferentes proporções, com diferentes sabores. Adorei.
Beijos

Eliana Mora [El] disse...

Achei interessante a analogia vinho-pessoa: calou-me bem.

Pois muito borbulhe tua alma

beijo, El

cileléla disse...

lindo d+++!

Lua Nova disse...

As palavras tem o dom da multiplicidade, já que o sentido básico pode ser alterado por entonação, movimentos do corpo, expressões do rosto, interpretações pessoais e estas dependem de outras infinitas possibilidades...
Tudo que vc postou, suscita reflexões.
Pra te fazer uma homenagem, postei palavras tuas no meu blog branco.
Passe lá pra ver. Espero que goste.
Beijokas.

http://empoucaspalavrasalheias.blogspot.com/

Domingos Barroso disse...

Por isso todo o ritual
ao degustar vinho,
ou melhor,
ao conhecer
gente.

Carinhoso abraço.