quinta-feira, 19 de julho de 2007

A irresponsabilidade é explosiva

Sobre a tragédia de Congonhas no dia 17 passado



Nem sei bem até que ponto se pode falar desse assunto neste momento, em que o fogo ainda nem apagou direito lá no aeroporto. Mas é preciso falar. Não dá mais pra ficar quieto vendo aviões explodirem, enquanto interesses de alguns resultam em tragédias como essa de São Paulo. As vítimas são indenizadas, a lei se cumpre. E as vidas, quem traz de volta? E a dor, que dinheiro paga?
Até quando vamos acreditar em todas as mentiras, em todos os disfarces, em todas as palavras que encobrem a verdade? Inventamos rituais para neutralizar a revolta e a dor das perdas irreparáveis. Os responsáveis vêm a público e a mídia os apresenta de cara séria, tratando a tragédia como uma fatalidade, cheios de argumentos regulamentares, contornando as perguntas mais difíceis com "ainda não temos esses dados", "não podemos responder a isso". Cumprido o ritual de praxe, o povo deve se dar por satisfeito, e as repostas não vêm enquanto não se encontrarem fórmulas capazes de encobrir as verdades menos confessáveis.
E tudo vai continua na mesma. Assim como a impunidade e a leviandade de quem libera uma pista insegura depois de uma obra que não resolvia o problema. Mas a companhia tem que faturar, e há sempre um juiz venal pra atender aos interesses de quem o compra.

3 comentários:

Marcelo F. Carvalho disse...

Adelaide,...infelizmente...você está certíssima. Gostaria de ser adversativo, mas seu texto é muito contundente!
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Abraço forte!

Analuka disse...

De fato, vários fatores, setores e personas conjugam-se na responsabilidade por tal tragédia, terrível e tristíssima!... Penso que, num mundo em que impera o poder econômico, as vidas e outros valores parecem estar sendo vistos cada vez mais como algo também descartável. Mas um acontecimento como este não pode, de modo algum , ser encarado como um acidente banal!... Cada vida interrompida daquele modo trágico era preciosa, e cada qual carregava em si um mundo de sonhos, planos, memórias, sentidos... Quem pode indenizar tal perda?... Que a catástrofe, no mínimo, provoque reflexões e mudanças. Abraços, Adelaide.

Marco disse...

E quantas vidas mais serão consumidas pela incompetência e pela inapetência em resolver um problema que já transcendo o nacional para o internacional?
Carpe Diem.