segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Viagens aos mesmos lugares






Foto Ale Felix.


· Durante duas semanas deixo de ler jornais e revistas, não vejo mais noticiário de tevê nem quero saber das notícias de política e polícia, muito menos das que misturam as duas e que são cada vez mais frequentes. Estou louca pra ver se isso muda alguma coisa na minha cabeça. Se mudar para melhor, repito a dose. Alienação? No, babies. Entrei num período de desintoxicação mental.
· Afinal, penso o pensamento de quem? Se é o meu mesmo, por que tem tanta influência dos outros? Se não é meu, como se explica que eu, e não outro, diga o que acho que penso? Às vezes fico assombrada com a uniformidade de determinados discursos. Vivemos à sombra de um emaranhado de idéias e pontos de vista ditados por interesses que não conhecemos e não são os nossos. Não dá pra confundir os gestos e atitudes correntes e repetidas com opiniões próprias.
· Uma coisa que me deixa cabreira é a diferença entre o que de fato acontece na vida real e o que chega a nosso conhecimento via mídia. Aderimos um pouco sem sentir à opinião de um ou outro colunista que admiramos, pelo que sabemos dele e por suas idéias. Até aí, tudo bem. Mas parece que isso tem um efeito cumulativo. Acabamos nos condicionando a pensar pela cabeça dos outros, o que não se recomenda, por melhores que os outros sejam.
· Enquanto isso, vou pondo em dia as leituras que se acumulam em pilhas, perigando desmantelar alguns livros antigos, heranças de papá e de um tio bacana.

13 comentários:

Maria Teresa disse...

Talvez por isso é que Fernando Pessoa considerou seu heterônimo mais cético como Mestre. Boa pedida a sua; se der certo, você terá uma fila de seguidores...
Beijos

Jorge Pimenta disse...

o regresso à origem matricial: o homem e o espaço de si próprio. por momentos recordas-me thoreau e rosseau...
um abraço!

Lua Nova disse...

Uma sábia atitude. Apóio completamente, pois já faz um bom tempo que não me "informo" através dessa mídia cotidiana e viciada. Essa avalanche de fatos e fotos acaba superlotando nosso espírito de "nada", e um "nada" tendencioso e aflitivo. Desde que tomei essa atitude, sinto menos cansaço e menos urgência (aquela que a gente sente sem saber do quê).
Depois relate sua experiência. Gostaria mesmo de saber o resultado.
Beijokas.

Lord Broken Pottery disse...

Reler é sempre uma boa pedida. Encontramos sempre um livro diferente. Um dia terei paz e dinheiro para poder apenas ler Proust.
Beijo grande

Graça Pires disse...

Gostei dessa decisão de desintoxicação mental...
Um beijo.

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

"Uma coisa que me deixa cabreira é a diferença entre o que de fato acontece na vida real e o que chega a nosso conhecimento via mídia."
tenha certeza que pouco vivemos a realidade nos é apresentada de inúmeras maneiras, mas tem pouco de real, só sabemos dela por completo quando dor em nós , já nas alegrias são poucas coisas

Gerana Damulakis disse...

Realmente, melhor recorrer aos livros. Fiquei imaginando (vc já sabe como sou)os livros do seu pai e do tio bacana. Boas leituras.

dade amorim disse...

Queridos, estou saindo de viagem e o tempo anda curto demais. Volto semana que vem, e espero pôr em dia as visitas aos amigos.

Beijos.

Ane Brasil disse...

Eu gostaria muitíssimo mesmo de me permitir esse luxo - justamente nesse momento...
É, mas agora eu não consigo mesmo.
Bemm desejo sucesso pra você aí no seu processo de desintoxicação!
Sorte e saúde pra todos

Zélia Guardiano disse...

Desintoxicação mental: boa dica!
Excelente texto, Dade!
Abraço, amiga!

Aline Veingartner disse...

Às vezes eu tenho a maior vontade de nunca mais acompanhar as notícias e viver informacionalmente isolada. O mundo cansa...

Chorik disse...

Boa desintoxicação procê.

Hana disse...

Adorei a viagem ao mesmo lugar, texto ótimo.Queria tbém ganhar livros de heranças, rsss
com carinho
Hana