<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407</id><updated>2009-11-11T17:47:35.715-08:00</updated><title type='text'>o bem, o mal e a coluna do meio</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>125</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-3626425535852735478</id><published>2009-11-10T07:48:00.000-08:00</published><updated>2009-11-10T07:48:12.273-08:00</updated><title type='text'>Um estranho para amar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SvmK9Tc_7eI/AAAAAAAACto/uyvfIU81wvI/s1600-h/12525439LouUrlingsgirllaos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SvmK9Tc_7eI/AAAAAAAACto/uyvfIU81wvI/s320/12525439LouUrlingsgirllaos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O tema é delicado. Envolve um tipo de relação humana muito rica e difícil, em que um ou dois adultos resolvem assumir como filho alguém cujos pais não quiseram ou não puderam criar. Mas é também importante e necessário, já que pode ser a oportunidade de resgatar o que se considera o fator maior para o equilíbrio psíquico e afetivo de uma criança: conviver e sentir a segurança de uma família estável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou falar do ato legal e burocrático, quase sempre cego e surdo ao coração; é um ato necessário, mas dependente do tipo de racionalidade de quem interpreta os fatos e lida com o texto da lei. Também não se deve esquecer que há manipulações nesse ato, e que o próprio pretendente à paternidade/maternidade pode esconder interesses bem distantes – e até contrários – daqueles do menor que está reivindicando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a adoção consciente, feita por pessoas que querem dar um destino digno a seus próprios sentimentos e transformar alguém em um filho, é um dos atos humanos mais próximos da idéia de Deus que temos em nós. Nada e ninguém obrigam a isso, e no entanto há quem assuma esse compromisso para toda a vida, diferente de todos os outros; um compromisso mais pesado e mais doce que um casamento, de resultado incerto. Mesmo assim, quem não desanimou e persistiu até conseguir realizar o que desejava, e enfrenta tantas dificuldades até abrir o espaço necessário para que o pequeno estranho seja transformado em filho pelo amor e pelo desejo, só pode ser gente boa, dessa que salva e redime o resto da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém é obrigado a isso, no entanto. Há quem prefira gerar embriões que serão congelados e na melhor das hipóteses prover a medicina de células-tronco. Um destino útil, sem dúvida, mas não a vida do jeito que a conhecemos e experimentamos, do jeito que a desejamos para alguém que se ama como filho. Há outras fontes de células-tronco, que agora a ciência já consegue até duplicar artificialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que todos temos em nós essa potencialidade de ser pai ou mãe. Se por algum motivo ela não se concretiza num filho biológico, e diante de tantas crianças órfãs, abandonadas e maltratadas pelos pais e/ou pelos estranhos que lidam com elas, é quase instintivo que se procure aproveitar esse espaço para tirar um ou mais desses menores do estado de abandono, dar a eles um futuro digno e uma chance de felicidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-3626425535852735478?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/3626425535852735478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=3626425535852735478' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/3626425535852735478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/3626425535852735478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/11/um-estranho-para-amar.html' title='Um estranho para amar'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SvmK9Tc_7eI/AAAAAAAACto/uyvfIU81wvI/s72-c/12525439LouUrlingsgirllaos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-8601757414675022700</id><published>2009-11-03T12:17:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T12:17:30.053-08:00</updated><title type='text'>De dentro para fora</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Rn8wF176odI/AAAAAAAAAck/C04UPsUbm4o/s1600-h/monet_lilases.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Rn8wF176odI/AAAAAAAAAck/C04UPsUbm4o/s320/monet_lilases.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5079831781633073618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;Monet. &lt;em&gt;Lilases&lt;/em&gt;.&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe quando você está quase dormindo, naquele estado beatífico de entregar o corpo à cama depois de um dia de trabalho, e de repente começam a vir à tona fragmentos de coisas, pessoas, palavras, lembranças do dia que passou, da véspera, de um acontecimento qualquer que arrastou consigo um monte de referências como uma onda carrega conchas, areia, bolinhas de frescobol, siris sobreviventes ou brinquedos? São imagens, poeira do dia ou dos dias mais recentes ou mais marcantes, tudo misturado, porque a memória reconhece mas não respeita a ordem cronológica nem qualquer outra. São ciscos que os ventos do dia deixaram em nossas janelas interiores e o sono, com sua forma peculiar de atenção, registra e recolhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como é assimétrica a percepção do sono! Não conhece limites nem conveniências; nada censura. Não tem lógica, mistura tudo sem cerimônia e dá nomes trocados às coisas. Nesse estado de quase-sonho, assim como no sonho mesmo, o mundo é diferente. Os sentimentos, as emoções, as sensações vêm num estado mais puro porque estão concentradas. De olhos fechados, sem ouvir outros sons nem ver outras imagens senão os que vêm de dentro de nós mesmos, vivenciamos esse mundo interior de um modo privilegiado, que a atenção dispersa da vigília não permite. Descemos ao paraíso ou ao inferno sem interferências do exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo da semivigília e do sonho, regido pelo desejo ou pelo medo, é pura delícia ou puro terror. Prazeres e angústias passeiam soltos pelos corredores de nosso labirinto e se expressam de um jeito insólito, às vezes muito estranho, que é preciso decifrar depois, à luz do sol, com a ajuda da razão. E às vezes são extremamente produtivos; dão dicas decisivas para a solução de problemas que nos pareciam confusos demais. Apesar de não agirem de acordo com a razão, usam nossa teoria, nossa prática, os conhecimentos que armazenamos pela vida afora, e sabem fazer uso dessas aptidões de um jeito que nos surpreende. Assim um cientista encontra a resposta para uma fórmula que não funcionava, artistas têm intuições fundamentais, negociantes são dotados de insights salvadores. Poetas recebem poemas praticamente prontos, como médiuns recebendo entidades, com linguagem própria. O pintor percebe a tonalidade que estava faltando para dar o toque final em sua obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de crenças e doutrinas, tenho a impressão de que é esse mundo interior que os místicos buscam em suas meditações e jejuns, os intelectuais tentam acionar em suas pesquisas e elaborações, os atores põem em movimento quando fazem laboratório para desempenhar seu personagem e os técnicos de esporte querem atingir durante a concentração de seus atletas. É a irrupção dessa matéria interior e o modo como aprendemos a lidar com ela que nos permitem criar, agir e atuar com maestria e eficiência em nosso ambiente de trabalho, de família, nos relacionamentos.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Quando começar um outro ano – outra fatia do tempo que se convencionou racionalizar desse jeito para vagamente poder fazer uma idéia do que significa o tempo maior, onde se move o universo que nosso conhecimento não consegue abranger – talvez seja o momento de maior motivação para pensar nessas coisas. Mas pode se pensar nelas a qualquer momento. Calendários e relógios são artifícios criados para nos orientar à nossa própria medida, marcadores de um tempo possível durante seus 365 dias de 24 horas, dividido em semanas de sete dias e 12 meses de cerca de 30 dias cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminar um ano é como deitar pra dormir: relaxamos e começamos a sonhar, a lembrar de tanta coisa e de tanta gente. Já não temos a obrigação de tomar as rédeas desse tempo que se foi e nos libertou de sua carga. Por pior que tenha sido, o ano que termina liberta nossos sonhos para prever, acreditar, esperar – desejar sem censura. E mesmo que o ano tenha sido esmagador, tenha trazido muita dor, traumas, angústias em dose insuportável – e decepções, com toda certeza, para quase todo mundo que leu jornais e viu o espetáculo deprimente oferecido por nossos políticos e homens públicos –, mesmo assim ainda temos licença de sonhar. Podemos usar essa licença de um modo trivial, fingindo que a lentilha vai nos trazer fortuna, o vermelho uma paixão inesquecível, as uvas, os pulinhos por cima das sete ondas e as flores para Iemanjá serão eficazes e benéficos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá para entender por que o ano novo é uma espécie de carnaval para tanta gente. Tem tudo a ver: ambos são, como o sono, tempos de suspender a dura realidade e acreditar que o sonho tem poder sobre ela. Ambos soltam a imaginação e a fantasia – que são os sonhos da vigília – e permitem retocar e atenuar as lembranças ruins e dolorosas, os desamores e os medos, e sair dando vivas à vida, trocando beijos e abraços. Grande invenção essa de fatiar o tempo e domesticá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada um sabe exatamente o que mais o incomoda, o que está precisando de mudança, o que o impede de ser ele mesmo de um modo mais pleno. É uma boa hora para refletir um pouco, e acima de tudo tratar de entender melhor a si mesmo e aos outros, ir um pouco além da mera simpatia e ver o outro com olhos de empatia, sem medo de amar, mesmo sabendo que amar é para os fortes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-8601757414675022700?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/8601757414675022700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=8601757414675022700' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/8601757414675022700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/8601757414675022700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/11/de-dentro-para-fora.html' title='&lt;strong&gt;De dentro para fora&lt;/strong&gt;'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Rn8wF176odI/AAAAAAAAAck/C04UPsUbm4o/s72-c/monet_lilases.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-8289192252992508503</id><published>2009-09-30T13:47:00.000-07:00</published><updated>2009-09-30T20:05:23.406-07:00</updated><title type='text'>Em casa?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SsPKQRWng_I/AAAAAAAACmI/oKJLQVqJOgA/s1600-h/FAmily+136.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 241px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SsPKQRWng_I/AAAAAAAACmI/oKJLQVqJOgA/s320/FAmily+136.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5387371960150230002" /&gt;&lt;/a&gt;Será que todo mundo se sente “em casa” na própria casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso nas casas onde falta quase tudo, nessas casas de tábuas ou de taipa, no interior mais abandonado, onde se come e se dorme mal, sem qualquer conforto, onde a seca ou a enchente são motivos de pânico, porque os moradores sabem que podem perder o pouco que conseguiram. Onde o trabalho pesado e sem retorno, o frio ou o calor devastam os corpos. De onde às vezes é preciso migrar em busca de um clima onde se possa viver. Ou então nas casas de tijolos expostos das favelas de nossas cidades, sem esgoto, sem espaço, onde as ruas são muitas vezes escadarias de degraus desiguais e os ratos passeiam livremente. Onde se vive com medo do vizinho ou da polícia, que significam risco de perder alguém ou de perder a própria vida. Pontes e viadutos também podem servir de casas para famílias inteiras, que na certa não entendem “sentir-se em casa” do mesmo jeito que aqueles que moram entre paredes sólidas e contam com fechaduras de segurança e janelas herméticas para afastar o barulho e a sujeira das ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que “sentir-se em casa” evoca um número quase inesgotável de imagens bonitas, doces, românticas e cálidas. É estar no quarto, em repouso, diante do programa predileto da tevê ou vendo um bom filme, lendo um livro escolhido; é estar na casa do amigo querido, bem recebido, embalado por uma conversa alegre, descontraída, tomando um bom vinho; é estar nos braços de quem se ama, o coração livre, solto para expressar e receber amor. É reunir a família em torno da mesa, trocar as impressões do dia, dar boas notícias, ouvir a piada mais divertida da semana, curtir os filhos, os netos, estar satisfeito com o que realizou na vida. Esse é um tipo de alegria muito lícita, uma felicidade que todo ser humano mereceria viver. E no entanto, não é dada a muitos, talvez apenas a uma minoria. Em parte porque os bens materiais não garantem que alguém se sinta “em casa”, às vezes é o contrário: muito dinheiro pode ser motivo de ansiedade, medo e desconfiança, discórdia na família e traições entre os associados. E em parte, porque mesmo possuindo todo o necessário, há pessoas que simplesmente não conseguem relaxar, e nunca conseguem se sentir em casa. Nem mesmo... em casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, nem todos os desfavorecidos da fortuna são infelizes. Há pessoas extremamente pobres, que dão um duro desmedido e vivem como se diz “da mão para a boca”, mas têm alegria, conseguem agregar uma família, têm um círculo estável de amigos. Não parecem sentir-se aterrorizados pelo futuro incerto. São estimados no trabalho, riem com facilidade, interessam-se pelos outros, têm bom humor. Estão longe da segurança econômica ou do conforto físico. Mas constroem seu ambiente de modo acolhedor, inventam jeitos de driblar a carência, gostam do pouco que possuem e tiram o melhor proveito possível de todas as oportunidades. Eu diria que eles se sentem “em casa” no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que é nisso que os seres humanos mais se aproximam, não importa se ricos, pobres ou remediados: sentir-se em casa no mundo. É isso que pode conferir algum carisma, que torna uma pessoa capaz de despertar sentimentos de amor, amizade ou simpatia. A boa notícia é que isso também se aprende. Para começar, aprender a relaxar fisicamente, para que o bem-estar possa vir à flor da pele. Feito isso, olhar as pessoas com vontade de compreendê-las, conversar, querer o melhor para si e para os outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-8289192252992508503?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/8289192252992508503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=8289192252992508503' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/8289192252992508503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/8289192252992508503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/09/em-casa.html' title='Em casa?'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SsPKQRWng_I/AAAAAAAACmI/oKJLQVqJOgA/s72-c/FAmily+136.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-6799135491309139023</id><published>2009-09-22T14:06:00.001-07:00</published><updated>2009-09-22T14:30:43.393-07:00</updated><title type='text'>Minotauro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Srk9kSMnniI/AAAAAAAACkg/9YB8oWx1Hhg/s1600-h/picasso_minotaruo+acariciando+mulher+adormecida.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 244px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Srk9kSMnniI/AAAAAAAACkg/9YB8oWx1Hhg/s320/picasso_minotaruo+acariciando+mulher+adormecida.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384402523067489826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;center&gt;Picasso. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Minotauro acariciando mulher adormecida&lt;/span&gt;.&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coca-cola no almoço, mate na hora do lanche e cafezinho de vez em quando pela tarde a dentro – e eis-me aqui, indormida e taquicárdica, desiludida de contar carneirinhos, porque eles dormem antes de mim. O que mais passa por minha cabeça são os restos do dia, uma espuma que lambe todos os pensamentos e seus espaços vazios. Dos dias, hoje e outros dias que já nem sei quais. Imaginações espiando as lembranças, misturando-se a elas como espiões, X-9 da memória, e de repente vem à cena a gaiola das obsessões, grades de cobre, fria e bem polida, que guardo bem escondida no quarto da área de serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio da noite insone, a gaiola automaticamente se converte em ante-sala de todos os medos e sustos. Minhas paredes brancas, neutras na treva, se cobrem de nomes, palavras de ordem. Não esquecer, lembrar sempre, não deixar. Acima de tudo não deixar. Manter acesas todas as luzes da memória, vigiar e nunca orar. Orar pode ser fatal, pode tirar a atenção do que realmente importa. Orar não é eficaz, e eficácia é a maior das hodiernas palavras de ordem. Persistir, levar a sério, não relaxar. Vestir a camisa – uma expressão que me dá sempre a sensação de estar sentindo um cheiro de sovaco na dita. Estar desperto e nunca esquecer de nada. A meu lado na mesinha a lista das compras: na certa não anotei o papel-toalha nem o fio de náilon. Passo metade da noite perseguindo meus pequenos nadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo jeito, nunca mais vou dormir. Estarei exaurida de manhã, incapacitada para levar a sério o que quer que seja, em especial o exercício e o alongamento, sem os quais, como ninguém ignora, a gente envelhece do dia para a noite, e o que será de mim na outra noite, insone e centenária?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sono não cabe numa vida em que a atividade é condição primeira. O sono é a morte provisória do espírito, esse princípio duvidoso e incendiário que me habita como um miceno em Creta. Minos a dominar meus mares. A noite é meu labirinto, a insônia o Minotauro que procuro manter distante por um ardil, uma estratégia que me mantém alerta. Meus argumentos não são suficientes para aplacá-lo. Ofereço a ele minhas donzelas e meus mancebos, não vá o monstro extravasar sua ira a outros domínios do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã vai ser outro dia e não há como prever as conseqüências disso. Se conseguir me manter do lado de fora da gaiola dos medos, talvez ainda haja salvação. Dentro é uma palavra plantada na rocha. É radical e inamovível. Dentro é imutável. Prefiro o lado de cá, um terreno pantanoso onde chapinho a maior parte do tempo. Fico mesmo acordada, paciência. Se não há outro jeito, vigio o Minotauro e lhe sirvo sua ração de virgens. Chego mesmo a conversar com ele, é bom de papo. Falamos do inefável. Quando ele some, esbarro nas paredes de chapisco do labirinto, que me ralam os dedos, os joelhos, às vezes o nariz. Aí fico bem quieta e ligo a televisão. Às vezes pintam filmes legais na madrugada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-6799135491309139023?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/6799135491309139023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=6799135491309139023' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/6799135491309139023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/6799135491309139023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/09/minotauro.html' title='Minotauro'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Srk9kSMnniI/AAAAAAAACkg/9YB8oWx1Hhg/s72-c/picasso_minotaruo+acariciando+mulher+adormecida.bmp' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-2501492792096316875</id><published>2009-09-11T19:07:00.000-07:00</published><updated>2009-09-11T19:18:09.612-07:00</updated><title type='text'>Meus doces arcanjos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SqsEzDEcRGI/AAAAAAAACjA/oKQ0IaRuOvI/s1600-h/anjoscantores.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 212px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SqsEzDEcRGI/AAAAAAAACjA/oKQ0IaRuOvI/s320/anjoscantores.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380399454867965026" /&gt;&lt;/a&gt;De um certo ponto de vista, o mundo pode ser dividido em pessoas que gostam de doce e as que não gostam. Fecho com as primeiras e não abro. Ainda sinto o gostinho dos bombons de chocolate e dos brigadeirões, meus fiéis companheiros pelos anos afora, com overdoses na Páscoa e no aniversário. Outra lembrança indelével – ao menos enquanto meu cérebro se mantiver saudável – é o doce de batata-roxa que minha mãe fazia, o mais puro sabor do autêntico marrom glacê. Valiam também as “cocadas” de abóbora e de batata-doce da carrocinha da Suelene na esquina lá de casa, sem falar nas de coco mesmo, brancas e pretas, que me deram prazeres inefáveis. Os suspiros. E os bons-bocados de vovó? Os quindins, os docinhos de nozes, damasco, as ameixas recheadas e as queijadinhas? As tortas de baba-de-moça com coco, meu Deus, geladas e desmanchando na boca. O rocambole de pão-de-ló com recheios maravilhosos da cozinheira de tia Anita. As musses, os pudins de leite condensado da sobremesa, as compotas feitas em casa. Nem precisa mais: o bolo singelo, ainda morno, da hora do lanche, com ou sem uma caldazinha de chocolate cheirando por cima. O pudim de aipim de minha sogra, cremoso, leve mas consistente, que nunca enjoava porque era adoçado no ponto certo. As brevidades de mamãe, para comer com o café da manhã? Só de pensar engordo e triglicerizo até a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui (e sou, só que não como mais, sniff) tão louca por doce, que na mais tenra infância, quando aprendi os nomes dos arcanjos Miguel, Rafael e Gabriel, associei a cada um deles uma substância daquelas de que a gente se lambuza, se não souber comer com bons modos. Pra mim, Miguel está associado a mel. Talvez porque rima, sei lá. Gabriel está ligado em minha cabeça à calda do doce de cajá-manga que minha avó paterna fazia como ninguém – que Deus a recompense com sua santa glória. Já o nome de Rafael imediatamente me faz lembrar do melado que sempre figurava no armário da copa entre as sobremesas, e que meu primo, lá pelos dez anos, consumia com uma nuvem de farinha de mesa por cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que será? As associações não têm mesmo muita lógica, são como as razões do coração. Só pra ficar no campo das doçuras, por exemplo, a vidraça da sala de jantar da casa da infância virou sinônimo subjetivo de açúcar cândi. Buscar as razões disso não tem muita graça, e mesmo precisava fazer análise ou hipnose regressiva pra descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto dessas associações porque elas me trazem os sabores que agora não posso mais degustar sem culpa e prejuízo do corpo. Nesse caso, a memória vira arca do tesouro, porque é por ela que de novo posso experimentar tantas delícias com seus respectivos aromas, cores e consistências que integram esse prazer tão exemplarmente castigado que é a gula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse pecado, que o próprio corpo se encarrega de punir e interditar, bem podia servir de exemplo e parâmetro à justiça dos homens para corrigir e castigar outras gulas, essas sim, socialmente muito mais escandalosas que uma boa torta de chocolate, mesmo comida inteira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-2501492792096316875?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/2501492792096316875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=2501492792096316875' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/2501492792096316875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/2501492792096316875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/09/meus-doces-arcanjos.html' title='Meus doces arcanjos'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SqsEzDEcRGI/AAAAAAAACjA/oKQ0IaRuOvI/s72-c/anjoscantores.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-2237218980808964415</id><published>2009-09-04T21:13:00.000-07:00</published><updated>2009-09-04T21:21:03.448-07:00</updated><title type='text'>Abraçando o mundo com as pernas e os braços</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SqHmIxm4UnI/AAAAAAAACh4/ckhWarkX_ok/s1600-h/paris0.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 226px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SqHmIxm4UnI/AAAAAAAACh4/ckhWarkX_ok/s320/paris0.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377832468486836850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surtei.&lt;br /&gt;Vou encher a casa de flores e botar Mahler pra tocar.&lt;br /&gt;Vou fazer de conta que o Rio de Janeiro é um pedaço do paraíso.&lt;br /&gt;Vou dar uma festa e deixar as portas abertas, abrir uma conta no WorldWine, arrematar todos os Cézannes, Klees, Picassos, Manets e Monets, fazer um lance pela Mona Lisa e pela Vênus de Milo, trazer o David do Louvre e assaltar o Museu Van Gogh, o Albertina e o Uffizzi.&lt;br /&gt;Vou mudar pra Florença e comprar Veneza.&lt;br /&gt;Quero o mundo.&lt;br /&gt;Quero Arraial d’Ajuda e a praia do Aventureiro.&lt;br /&gt;Vou sentar no barzinho do Tonho em Fernandinho de Búzios e conversar duas semanas com quem eu quero até cair dormindo e acordar pra um mergulho.&lt;br /&gt;Vou encomendar dez luas cheias sem interrupção, ouvir Debussy três dias seguidos, pôr os vestidos de Narizinho e chamar o gato de Alice pra brincar de esconde-esconde no Prado.&lt;br /&gt;Do outro lado do espelho chego a Paris, boto Chet Baker tocando numa mansarda daquele hotelzinho decadente e vou jantar no Chartier.&lt;br /&gt;Nessas alturas estou em tiras, mas ainda posso brincar com Monk, o gato neurótico, e chamar David Suchet pra deslindar a morte de Aschenbach e a verdadeira origem de Heathcliff.&lt;br /&gt;Ponho os profetas de Congonhas na entrada de casa, planto um pinheiro no jardim e tomo um porre de champanhe à sombra de um inconsciente em flor.&lt;br /&gt;Estou me lixando pro dia seguinte. Caso eu vá em cana por algum excesso, por favor me visitem de vez em quando, obrigada.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-2237218980808964415?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/2237218980808964415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=2237218980808964415' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/2237218980808964415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/2237218980808964415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/09/abracando-o-mundo-com-as-pernas-e-os.html' title='Abraçando o mundo com as pernas e os braços'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SqHmIxm4UnI/AAAAAAAACh4/ckhWarkX_ok/s72-c/paris0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-2770575546136905379</id><published>2009-08-28T10:37:00.003-07:00</published><updated>2009-08-28T11:06:05.758-07:00</updated><title type='text'>Silêncio alternativo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SpgXUg7GvVI/AAAAAAAAChA/84s3aWKMD38/s1600-h/mus.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 278px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SpgXUg7GvVI/AAAAAAAAChA/84s3aWKMD38/s320/mus.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375071796469349714" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;Desenho de Luca Marietti&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem devia ter ficado surdo no lugar de Beethoven era um escritor. Digamos Borges, por exemplo. Borges não podia ter ficado cego, o que deve ter atrapalhado a atividade dele, na dependência de alguém que pudesse escrever o que ele criava.&lt;br /&gt;Mas a gente não escolhe o sentido que vai ficar mais fraco ou o que vai se perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, o melhor de tudo é contar com todos os sentidos em plenitude. No meio da zoeira da cidade, no entanto, quando o trânsito agoniza embaixo da janela ou um martelo e uma serra dão conta da obra ao lado, às vezes penso em como seria bom poder desligar a audição, deixar de ouvir e mergulhar num silêncio total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente ouve camadas de sons. Um ronronar distante de motores que nem se sabe onde estão, um barulhinho gostoso de folhas que se roçam com o vento, vozes que espetam o silêncio de repente. Freadas, buzinas, estouros, foguetes inexplicados. Ruídos que vêm do alto, do vizinho que arrastou um móvel ou pisou forte com o salto contra a madeira do assoalho, coisas que caem, louças que se quebram, águas que correm. Até tiros, às vezes, para lembrar onde estamos. E música. A música que pusemos pra tocar, que nos dá prazer; a música que o alto-falante toca lá fora, de um carro qualquer; a que alguém por perto resolveu ouvir bem alto, porque está no banheiro e o som no quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí imagino ir deixando de ouvir cada camada dessas, começando pela banda que grita, apagando o som do carro, que parece arranhar todos os sentidos, e o próprio Tom Jobim que nos embalava. E logo somem os ruídos intempestivos, os gritos inexplicados, e restam as folhas farfalhando, o ronrom distante; mas mesmo esses vão se diluindo numa espécie de vazio, que cresce e se espalha. Não ouço mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitando essa paz em que nem o silêncio faz seu habitual zunido manso, fecho também os olhos e deixo as ideias chegarem à tona. A princípio um pouco assustadas como baratinhas flagradas pela luz, elas hesitam. Mas pouco a pouco vão emergindo de seu escurinho básico e se mostram. É preciso agir rápido, antes que o feitiço acabe, a mágica se desmanche e cada coisa volte a emitir seus ruídos e façam esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, uma dúvida traz um susto nas asas: e se for pra valer? Se nunca mais Tom Jobim, nem Chet Baker, nem Brahms? Se não houver mais o ruído do mar, o canto dos pássaros? Não saber se alguém abriu a porta, não ouvir o chamado do telefone, não saber que o portão do estacionamento abriu às duas da manhã? Não mais a voz do amado, dos amigos, das crianças, essas que dão um fresquinho na alma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alívio: destamparam-se as orelhas. A camada das folhas subiu de tom: venta muito, a cortina voou lá pra fora e um trovão sacode tudo, aleluia. De vez em quando, esse oásis de silêncio total, que nenhum protetor de ouvidos pode dar, é um remanso, uma delícia de paz... Mas as ideias que vão chegar precisam de todos os sentidos. Elas não brotam do nada. E o mundo só existe para nós por esse aglomerado de estímulos que podemos escolher até certo ponto, além do qual é preciso aceitar, porque pior que tudo é rejeitar o que está a nossa volta e abrir mão do que a vida é capaz de oferecer. E que é tanto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-2770575546136905379?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/2770575546136905379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=2770575546136905379' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/2770575546136905379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/2770575546136905379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/08/silencio-alternativo.html' title='Silêncio alternativo'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SpgXUg7GvVI/AAAAAAAAChA/84s3aWKMD38/s72-c/mus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-5660695385967024859</id><published>2009-08-20T16:47:00.001-07:00</published><updated>2009-08-20T16:56:50.613-07:00</updated><title type='text'>Conviver é preciso</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/So3irURh2YI/AAAAAAAACfw/N9d4RJVLlRo/s1600-h/4wood.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 246px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/So3irURh2YI/AAAAAAAACfw/N9d4RJVLlRo/s320/4wood.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372199164327352706" /&gt;&lt;/a&gt;É inevitável. Às vezes desejável; outras, cansativo, tedioso e até irritante. &lt;br /&gt;Convive-se em casa, nas calçadas, nos transportes coletivos – com sorte, num trem de metrô meio vazio ou num ônibus de horário mais tranquilo; ou então ocupando espaços impossíveis, sentindo os odores alheios, ouvindo conversas estranhas e até aturando o assédio de algum sem-noção. Convive-se no táxi, no avião, no mercado, no shopping, no clube, na boate, na igreja, no trabalho, na escola. É preciso aprender desde cedo porque, caso isso não aconteça, forma-se um ser anti-social ou uma daquelas pessoas que não sabem como lidar com o próximo e acabam se machucando muito pela vida afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente exige treinamento. Na falta dessa preparação para a convivência, alguma coisa essencial para uma vida satisfatória fica faltando e a consequência pode ser uma solidão difícil de aturar ou um comportamento pendular e muita insegurança. Ver os outros com olhos hostis sem um motivo sólido, apenas como uma forma de autodefesa, é um desastre para o convívio. Uma espécie de desvantagem de início, se olharmos a coisa como um jogo (e a vida tem um lado lúdico que não dá pra ignorar). Tenho visto pais que induzem essa atitude nos filhos ainda crianças, achando que com isso os tornam mais fortes para conviver. Ter uma atitude pejorativa para as diferenças alheias, pretender tirar vantagem em tudo e assumir o lado brucutu, que cada um de nós carrega, como exemplos para os filhos, podem pavimentar um caminho para a encrenca e estragar boa parte da vida deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada convivência tem seus lados amenos, agradáveis ou ásperos e indigestos. Quando predominam os últimos, é preciso saber onde se pisa para não sofrer as consequências em todo seu peso. Assim como é preciso estar preparado para poder tirar de uma boa convivência tudo que pode nos dar em termos de amizade, amor ou companheirismo. Coisas que só se aprende convivendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-5660695385967024859?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/5660695385967024859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=5660695385967024859' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/5660695385967024859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/5660695385967024859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/08/conviver-e-preciso.html' title='Conviver é preciso'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/So3irURh2YI/AAAAAAAACfw/N9d4RJVLlRo/s72-c/4wood.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-6066574689189085963</id><published>2009-08-13T09:56:00.002-07:00</published><updated>2009-08-13T10:06:24.642-07:00</updated><title type='text'>Suco de gente</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SoRHx2lsasI/AAAAAAAACeo/SfiDhy06mus/s1600-h/cravos+e+clematis.bmp.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 185px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SoRHx2lsasI/AAAAAAAACeo/SfiDhy06mus/s320/cravos+e+clematis.bmp.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369495577525250754" /&gt;&lt;/a&gt;A noção de arte como “suco de gente” começou a frequentar minha cabeça a partir de um pensamento casual. Tinha tomado um suco de laranja delicioso e comecei a imaginar que aquela devia ser uma laranja diferente das outras, com mais recursos que suas semelhantes. Daí me veio a estranha ideia de uma laranja artista. Achei isso engraçado, mas logo esqueci.&lt;br /&gt;Num texto sobre arte, a ideia volta à tona. Assim como a palavra “suco” sugere o melhor de uma fruta madura e gostosa, “artista” remete ao melhor de alguém. Mas como? – pensarão essas pessoas que exigem sempre expressões politicamente corretas. Então o fato de ser artista torna alguém melhor que os outros mortais? Afinal, nem todo mundo faz arte. E se a arte é o “melhor” de uma pessoa, fica implícito que o resto não tem esse melhor.&lt;br /&gt;Nada disso. Há quem dê o melhor de si num consultório, num esporte, numa empresa, no comércio, na sala de aula, numa construção ou num almoxarifado. Ninguém é obrigado a ser artista para ser melhor em alguma coisa. A diferença está em que a arte é um dom que proporciona aos outros um motivo de prazer estético, ou seja, uma sensação intangível que se aproxima bastante da espiritualidade, porque, além de tudo, vem “de graça”.&lt;br /&gt;Não que o produto da arte seja necessariamente místico, ao contrário: quase sempre a arte se refere e se alimenta da realidade mais concreta, do que se experimenta com os sentidos e nem ao menos corresponde ao que se convencionou chamar “o belo”. Sua afinidade com o que é espiritual vem do prazer que nos dá; porque o espírito participa do que dá prazer, mesmo que seja um prazer puramente físico. Isso parece um paradoxo dos mais empedrados; mas se desconectarmos a ideia de espírito do conceito religioso que ele costuma exprimir, vamos perceber com clareza que, ao nos suscitar um prazer autônomo e apontar para novos modos de entender e perceber o mundo, a arte enriquece nossa experiência de vida, afina a sensibilidade e amplia nosso repertório – ou seja, torna nosso espírito mais amplo e nos leva mais longe.&lt;br /&gt;Mas é um pouco chato falar de arte com essa cerimônia toda. Porque a gente tem que viver e curtir arte no dia-a-dia, experimentar pelos sentidos o que ela tem de bom, em vez de só pensar nela. No quadro, no filme, no show, na música que ouvimos, no texto que lemos, no desenho de animação, no poema que nos toca fundo, a arte está ao alcance da mão. Tanto quanto o copo daquele suco da fruta mais doce, madura e deliciosa que nos faz tanto bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagem E.Manet. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Carnations and clematis. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-6066574689189085963?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/6066574689189085963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=6066574689189085963' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/6066574689189085963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/6066574689189085963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/08/suco-de-gente.html' title='Suco de gente'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SoRHx2lsasI/AAAAAAAACeo/SfiDhy06mus/s72-c/cravos+e+clematis.bmp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-370952847846281360</id><published>2009-08-03T17:12:00.000-07:00</published><updated>2009-08-03T19:58:07.338-07:00</updated><title type='text'>Sorrisos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SnejttB-KbI/AAAAAAAACdc/NhcCgIVpU3I/s1600-h/idoso-no-computador-111_.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SnejttB-KbI/AAAAAAAACdc/NhcCgIVpU3I/s320/idoso-no-computador-111_.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365937486612539826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma propaganda rolando na tevê, se não me engano de uma ONG que fala de uma vida melhor, em que as imagens bem escolhidas e esteticamente atraentes me fizeram parar e prestar atenção aos detalhes, coisa que raramente acontece em comerciais. O filme é bonito, mas no meio da sequência de pessoas de diferentes origens há um homem que bem pode ser um brasileiro comum, mulato, de óculos e camisa xadrez. Um rosto absolutamente comum, sem nada que o diferencie de milhares de homens do tipo, e que aparece apenas um ou dois segundos. O diferencial está no sorriso que exibe – aberto, franco, convincente. Pode até ter sido uma tomada ensaiada, e pode ser que o sorriso tenha sido fabricado para o momento. Mas é um sorriso que fala – fala de alegria, satisfação de estar vivo e até de auto-estima, pode?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Chaplin compôs &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Smile&lt;/span&gt;, uma canção que expressa a força do sorriso (e que ganhou uma versão brasileira belíssima, na voz de Djavan), ele sabia o que estava dizendo. O sorriso tem uma força persuasória insuspeitada pela maioria das pessoas, e é capaz de conseguir mais que um arrazoado de meia hora, dependendo de quem sorri. Se alguém está insatisfeito, triste ou desanimado, deve experimentar um bom sorriso. Mesmo que a princípio seja forçado, auto-imposto, um sorriso joga um pouco de luz na escuridão e contamina um pouco as pessoas com sua mensagem. Por causa disso, é capaz de mudar para melhor o clima que cerca aquele que sorri. Ninguém sente vontade de se aproximar de uma pessoa cujo rosto é um prenúncio de lamentações e queixas. Um bom sorriso, no entanto, espalha simpatia a sua volta, e pode tornar os outros mais receptivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso fingir uma alegria que não se sente na realidade. Uma alegria falsificada costuma ser um desastre e fazer do falsário um canastrão. Mas um sorriso não significa necessariamente alegria; pode-se sorrir por uma satisfação interior, por simpatia, por ironia ou por ter cumprido alguma coisa que nos parece importante. Pode-se sorrir por mil e uma razões, e quanto mais interiores elas forem, mais o sorriso será autêntico e convincente. Pode-se sorrir até por pensar em alguma coisa que nem existe, um desejo, uma idealização. Sempre que alguém sorri, sua musculatura facial assume uma tensão capaz de atrair o próximo. Primeiro, porque em geral o rosto de quem sorri melhora de aparência e se torna afável, agradável de olhar. E também porque um sorriso é um signo, indício de bem-estar, boa notícia, bom humor ou boa vontade para com o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, se o estresse está alto, experimente um relaxamento muscular e sorria. Se a tristeza tenta morder você, sorria. E se alguma coisa vai muito mal e não dá sinais de melhora, experimente sorrir. Nem que seja na frente do espelho. Pode ser o começo de uma virada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-370952847846281360?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/370952847846281360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=370952847846281360' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/370952847846281360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/370952847846281360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/08/sorrisos.html' title='Sorrisos'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SnejttB-KbI/AAAAAAAACdc/NhcCgIVpU3I/s72-c/idoso-no-computador-111_.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-7073011396613380781</id><published>2009-07-27T16:52:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T18:01:50.990-07:00</updated><title type='text'>Aos pedaços</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Sm4_ma5Pe4I/AAAAAAAACcE/oslGnoMTjjs/s1600-h/ManRay.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 213px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Sm4_ma5Pe4I/AAAAAAAACcE/oslGnoMTjjs/s320/ManRay.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363294135531830146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sofrimento que ninguém descreve,&lt;br /&gt;como um peso na alma [...]&lt;br /&gt;é a dor das águas que o moinho moi, é a&lt;br /&gt;dor que não sabe onde é que doi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dante Milano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso tempo é de fragmentação cultural e subjetiva. Um tempo em que a dor, a morte, o amor, a alegria, o sucesso e o fracasso das pessoas que a mídia e o mercado escolhem, para melhor vender seus produtos, são tratados como peças de um jogo de proporções globais. Às vezes voluntariamente exposta pela busca da celebridade, outras vitimada ou incensada por alguma espécie de notoriedade que a torne colunável, uma pessoa ganha caras diferentes e até contraditórias segundo o veículo e o comentarista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A intelligentsia-classe-média representada pela mídia de “bom nível” (leia-se a que tem mais recursos e poder) toma conta dos assuntos e manipula opiniões. Podemos dormir tranquilos. Afinal, quem somos nós pra pensar diferente? As polêmicas se resolvem quase sempre a favor da opinião dominante na mídia de maior ibope. Veste-se a opinião alheia como quem veste uma roupa de segunda mão e fica-se “de bem com a vida”. A coisa é tão bem feitinha que até pensamos ser nossas as ideias que nos implantam pela raiz dos cabelos e pelos poros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Armado o jogo, vilões, mocinhos, princesas, bandidos, vítimas e algozes ficam nítidos e fáceis de entender. Podemos então acompanhar o movimento das peças, todas com seus papéis devidamente definidos e objetivos simplificados. E o que seria drama e dor alheia, na notícia pungente da primeira manchete, ganha um colorido atraente, confortável, divertido até.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém pode se queixar da mídia; temos sempre os olhos e os ouvidos cheios de notícias: Michael Jackson morreu; o rosto aparece como uma horrível máscara mortuária num jornal pop – assunto para muito papo, a mídia é um milagre; mostra-se a cerimônia fúnebre sem corpo, um show e tanto, que arrasta multidões. Mas ninguém sabe do defunto; então, Michael não morreu; aparece o retrato dele de óculos escuros, enfiado numa espécie de burka. É mentira? A mesma que contaram de Elvis, de Lennon, Jim Morrison e tantos outros? Mas ainda há quem insista no boato, que fica em cima do muro e não sabe mais se é boato ou revelação sensacional – que seria muito mais interessante, vamos combinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que graça tem saber/não saber isso ou aquilo, dar ou não dar ouvidos às fofocas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser a graça de não ter que se definir; de não deixar tempo nem espaço para ideias próprias ou para refletir pela própria cabeça. Ninguém mais se lembra por exemplo da moça que vegetava (será mesmo que vegetava? Alguém pensou e sentiu com o cérebro dela, percorreu as terminações nervosas de seu corpo, experimentou as sinapses que ainda funcionavam nela?), e que foi eliminada aos olhos do mundo, sem ao menos gozar da paz e da privacidade necessárias a quem vai morrer. Notícia irada, tanto mais que passou rapidinho e deu lugar a outras também sensacionais e de vida igualmente curta. Porque essa coisa de parar num assunto é um tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser que as imagens formatadas para o consumo, travestidas de informação, sejam um bom suporte para a projeção das dores de cada um. Talvez assistindo vidrados ao show dos problemas alheios o tempo passe mais depressa e nos poupe de nossos problemas. Assistindo ao espetáculo das penas de figuras virtuais esqueço um pouco das minhas. Não faz tanto mal que tenha problemas reais, se tenho um anestésico tão poderoso. Melhor assim, sofro menos sendo parte da imensa multidão resignada que acha que nada vai mudar mesmo, e embarca na idolatria dessas imagens misteriosamente belas, mágicas, que merecem retratos coloridos e sorriem sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Foto Man Ray.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-7073011396613380781?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/7073011396613380781/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=7073011396613380781' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/7073011396613380781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/7073011396613380781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/07/aos-pedacos.html' title='Aos pedaços'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Sm4_ma5Pe4I/AAAAAAAACcE/oslGnoMTjjs/s72-c/ManRay.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-6183693585086794005</id><published>2009-07-21T10:34:00.000-07:00</published><updated>2009-07-21T10:44:18.292-07:00</updated><title type='text'>Literatura</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SmX94AGhWcI/AAAAAAAACaM/o3XaAoSal9I/s1600-h/blogdepapel27nov2005.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 132px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SmX94AGhWcI/AAAAAAAACaM/o3XaAoSal9I/s320/blogdepapel27nov2005.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360970069996296642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;Foto do lançamento do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Blog de Papel&lt;/span&gt;.&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;Literatura é um pequeno abismo portátil onde de vez em quando a gente se joga. Vicia mais que qualquer droga. Às vezes, dependendo do regime de governo, pode ser até proibida. Serve para viver a fundo as coisas em que uma pessoa sensata não mergulharia, ou porque são repulsivas, ou porque não têm importância nenhuma de ordem prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mais fácil dizer o que a literatura não é: não é útil, não dá dindim, não é pragmática, nem lógica nem relaxa ninguém. E ainda por cima às vezes tira o sono. Para o senso comum, literatura é coisa de maluco mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem precisa do senso comum? Para quem escreve, ela é fonte de alguma coisa que fica entre a alegria, o consolo, o alívio, a autoafirmação, o bem-estar do espírito, o refrigério do intelecto e a inefabilidade de um lado e, do outro lado, o trabalho árduo e persistente, para o qual se precisa muito tempo, paciência e solidão. Com o tempo, é quase a satisfação de uma necessidade orgânica. Sem falar no prazer que é ver um livro publicado, lido e comentado. Mesmo que o escritor faça aquela cara de modesto (é mentira, nenhum escritor é modesto), ele estará se sentindo orgulhoso de sua obra, compensado por ver aquele filho de papel e tinta multiplicado, circulando nas mãos de amigos e estranhos. Para ele, cada exemplar é O Livro. Ou, como diria Cortázar, todos os livros, o livro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-6183693585086794005?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/6183693585086794005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=6183693585086794005' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/6183693585086794005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/6183693585086794005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/07/literatura.html' title='Literatura'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SmX94AGhWcI/AAAAAAAACaM/o3XaAoSal9I/s72-c/blogdepapel27nov2005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-3601815372385636630</id><published>2009-07-13T18:01:00.000-07:00</published><updated>2009-07-13T18:14:29.253-07:00</updated><title type='text'>Para que servem as flores?</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/R60PJEnBtQI/AAAAAAAAA0E/eNr_YWez4kk/s1600-h/busacado+absoluto.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/R60PJEnBtQI/AAAAAAAAA0E/eNr_YWez4kk/s320/busacado+absoluto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164800996194497794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo é injusto e mau; pode ser cão para tanta gente que, se você está bem alimentado, aquecido no frio e refrigerado no verão, se dorme numa boa cama e tem uma família para amar e ser amado, nem consegue imaginar. Mas vamos admitir, o mundo é muito bonito. Tudo bem, não muda muita coisa. Essa beleza no entanto é grátis, e de quebra existem as flores: espatódeas, flamboyants, espirradeiras, acácias aos cachos, ipês amarelos, roxos e brancos, algodoeiros-da-praia, as flores da pata-de-vaca, que delicadas, os jasmins-do-cabo brancos e rosas, quaresmeiras carregadas, pessegueiros de flores tão belas, flores de ameixeira, de maçã e de laranjeira, sem falar nas outras árvores frutíferas que também florescem, algumas das quais lindamente. As flores são uma festa para os olhos, e se a gente prestar atenção, uma festa para os outros sentidos também – têm perfumes às vezes deliciosos, pétalas macias de formatos e cores divinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luta pela vida é uma guerra cheia de batalhas perdidas, está certo. Trabalha-se durante a maior parte do dia e ainda sobra pro dia seguinte. Mas pense bem: podem-se aliviar as tensões de quem se quer bem e as próprias apenas com um gesto amigo ou amante, presenteando ou oferecendo ao menos uma flor a alguém e, dependendo do momento, ganhando o coração de quem já nos ganhou. Para isso existem os gerânios, belas-emílias, beijos multicoloridos, malvinas, lantanas ou cambarás de tantos matizes, margaridas brancas e amarelas, papoulas, camélias, violetas, rosas, rosas, rosas de abril e de todos os meses do ano, de todos os tamanhos, tipos e tons; tulipas, fores-de-maio, magnólias, maravilhas, dodôneas, verbenas, flores rasteiras com ou sem nome, flores do campo, palmas e lírios, copos-de-leite, cravos, cravinas e até cravos-de-defunto para os que já se foram; dálias e estrelítzias, amores-perfeitos, crisântemos e flores-de-cera, gérberas e kalanchoes, lisantos e begônias de inúmeras variedades, ciclamens, primaveras e prímulas. Tudo isso é bem capaz de amenizar as agruras da luta e do cansaço. Ao menos tornar um momento do dia, unzinho só, mais agradável e fazer sorrir um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até nossa querida alcaparra, tão gostosa em um bom molho, dá uma flor bonita, assim como o cafeeiro e algumas ervas medicinais como as passifloras, belas e calmantes, e o boldo. O capítulo da fitoterapia é tão grande que não caberia numa crônica, mas é bom lembrar os florais de Bach onde reinam as virtudes curativas que elas, as flores, ainda nos oferecem. E a lavanda e a alfazema, entre outras, esses perfumes que fazem a gente se sentir mais limpa e delicada, têm flores bonitas, que crescem em forma de pendão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se você vai por seu caminho de sempre, meio murcho e sem muitas expectativas, mas súbito lhe aparece uma cerca coberta por buganvíleas, alamandas ou tumbérgias, epoméias, glicínias, jasmins-estrela, jasmins em cachos, alfinetes, hibiscos, damas-da-noite, madressilvas ou mimosas, brincos-de-princesa, lágrimas-de-cristo, flores de espinheiro, coroas de cristo, rubras como gotas de sangue, ou até essas florinhas plebéias, como a maria-sem-vergonha, os populares bom-dia e boa-noite – vai me dizer que essa beleza toda não mexe com você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, o mundo tem lá seus graves defeitos, a vida é dura, o amor é difícil de achar. Mas existem as flores, muitas, de mil formas e cores, com utilidades práticas e às vezes somente dedicadas a fazer sorrir e, quem sabe, mudar para melhor a vida de algumas pessoas – e isso já seria suficiente para justificar sua existência e estimular sua presença em nossas casas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-3601815372385636630?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/3601815372385636630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=3601815372385636630' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/3601815372385636630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/3601815372385636630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/07/para-que-servem-as-flores.html' title='Para que servem as flores?'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/R60PJEnBtQI/AAAAAAAAA0E/eNr_YWez4kk/s72-c/busacado+absoluto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-5872325957269666188</id><published>2009-07-03T11:39:00.001-07:00</published><updated>2009-07-03T11:49:06.450-07:00</updated><title type='text'>Nunca é uma palavra de muitas frestas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Sk5SIpZYG_I/AAAAAAAACXk/wITfHuu_jmU/s1600-h/Cartier_bresson_ret.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 273px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Sk5SIpZYG_I/AAAAAAAACXk/wITfHuu_jmU/s320/Cartier_bresson_ret.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354307315494820850" /&gt;&lt;/a&gt;As cores, assim como os sons, variam quase ao infinito. Tons e tonalidades são muito mais numerosos do que se imagina. O sol tem matizes e variações, é só prestar atenção para ver: o sol não mostra sempre a mesma face – às vezes está furioso e queima com raiva, mas às vezes acaricia a pele que nem homem enamorado. Os dias podem parecer iguais naquilo que os outros – do trabalho, da família, do governo, da comunidade – exigem da gente; mas nossa paisagem interna muda a cada hora do dia. É bom ficar atento a essas mudanças. &lt;br /&gt;As diferenças que uma pessoa apresenta ao longo da vida, dos anos e até das horas se explicam pelos sentidos, que deixam entrar sempre o que interessa mais no momento. Se digo “nunca”, e na mesma hora meus poros se abrem, é porque na verdade o nunca queria dizer outra coisa e não era tão definitivo como se supõe. Nunca é uma palavra com muitas frestas. Quantas vezes entendemos uma frase de um modo bem diferente do sentido que lhe quiseram dar, ou nosso olhar modifica uma imagem. É fácil enganar-se com as aparências; basta que nosso desejo (que tem raízes inconscientes) prefira se iludir ou interpretar a realidade a seu jeito.&lt;br /&gt;Mais complicado é se comprometer com o sempre. Quem escolhe o sempre como norma de vida, às vezes precisa repensar suas posições, sob pena de virar pedra. Se decidi pertencer a um partido, uma escola filosófica, uma religião, minha opção pode valer – até para toda vida – contanto que eu não perca a capacidade de avaliar minhas posições com revisões periódicas. Se o partido mudar de direção e adotar posições com as quais não posso concordar, está na hora de discutir e, quem sabe, mudar de rumo. Modos de pensar, religiões e ideologias são obras humanas. Mesmo no caso das religiões, que se gabam de sua origem divina, as instituições são coisa de gente e falham; podem se tornar opressivas, formar pessoas preconceituosas e crueis, porque facilmente tendem ao que hoje chamamos de fundamentalismo.&lt;br /&gt;Diferente de virar a casaca por conta de interesses imediatistas de dinheiro ou de poder, diferente de ser oportunista ou trair uma corporação por falta de lealdade, mudar nossas posições diante do mundo é um direito humano dos mais legítimos. O que não é justo nem salutar para ninguém é arrastar uma posição insatisfatória, permanecendo em um lugar que não seja o escolhido. Assim como a roupa deve ser agradável à vista mas também nos dar conforto e bem-estar, é bom ficar alerta e, se for preciso, procurar o solzinho que entra pelas frestas do nunca para ver mais claro. Ninguém consegue ser generoso ou solidário se andar pela vida dentro de uma camisa-de-força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Foto H. Cartier-Bresson.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-5872325957269666188?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/5872325957269666188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=5872325957269666188' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/5872325957269666188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/5872325957269666188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/07/nunca-e-uma-palavra-de-muitas-frestas.html' title='Nunca é uma palavra de muitas frestas'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Sk5SIpZYG_I/AAAAAAAACXk/wITfHuu_jmU/s72-c/Cartier_bresson_ret.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-4127778469147087444</id><published>2009-06-23T15:37:00.000-07:00</published><updated>2009-06-23T18:55:43.915-07:00</updated><title type='text'>Perspectiva às vezes engana</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SkFjX1g2x7I/AAAAAAAACVc/ns6bUeETMD0/s1600-h/MindprisondePaulBracey.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SkFjX1g2x7I/AAAAAAAACVc/ns6bUeETMD0/s320/MindprisondePaulBracey.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350667093445887922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;Paul Bracey. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mind prison.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boneca está meio desconjuntada, braços de pano pendentes, cara de nada absoluto. Que bobagem, isso é uma contradição em termos. Como pode ser o nada absoluto, se é uma boneca, mesmo assim, quase se desfazendo? Verdade que existe o tempo – parte dela já virou pó, já não é a boneca que foi a princípio. E se não é mais aquela do início, começou a navegar no nada. Fico solidária mas um pouco assustada. O nada absoluto está em meu rosto também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SkGHcO1s8LI/AAAAAAAACV8/8h9dmAiaeBs/s1600-h/stripe2.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 120px; height: 1px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SkGHcO1s8LI/AAAAAAAACV8/8h9dmAiaeBs/s320/stripe2.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350706751382286514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A formiga carrega seu pedaço de folha pelo caminho de pedra. Está no jardinzinho bem tratado, cheio de cores, que fica bem no centro do planeta e bem debaixo do pedaço da Via Láctea que protege nossos telhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SkGHcO1s8LI/AAAAAAAACV8/8h9dmAiaeBs/s1600-h/stripe2.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 120px; height: 1px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SkGHcO1s8LI/AAAAAAAACV8/8h9dmAiaeBs/s320/stripe2.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350706751382286514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim ele está lá, mas o lá onde ele está é o aqui dele. Então podemos concluir que todos nós estamos em pelo menos dois lugares ao mesmo tempo. E ainda dizem que só santo Antônio tinha o dom da ubiquidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SkGHcO1s8LI/AAAAAAAACV8/8h9dmAiaeBs/s1600-h/stripe2.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 120px; height: 1px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SkGHcO1s8LI/AAAAAAAACV8/8h9dmAiaeBs/s320/stripe2.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350706751382286514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui do escritório, tenho a sensação nítida de que lá dentro, na sala e nos quartos, talvez na cozinha, estão meus pais, meu irmão que morreu novinho, meus tios e avós. Experimento a sensação bem viva dos primeiros anos, quando morava com eles. Às vezes havia alguém mais. Não posso afirmar nada, já que estou aqui no escritório e não dá pra ver o resto da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SkGHcO1s8LI/AAAAAAAACV8/8h9dmAiaeBs/s1600-h/stripe2.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 120px; height: 1px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SkGHcO1s8LI/AAAAAAAACV8/8h9dmAiaeBs/s320/stripe2.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350706751382286514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perspectiva e seu grande amor, Sofisma, moram em bairros separados, Razão e Imaginação. Têm uma bela prole que aumenta toda vez que um deles vai visitar o outro. Uma de suas filhas, chamada Mentira, ficou muito famosa e tem numerosos imitadores. Mas a filha que mais influencia as pessoas é Ilusão, uma linda moça de enormes olhos verdes, que anda sempre viajando no Mundo da Lua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-4127778469147087444?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/4127778469147087444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=4127778469147087444' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/4127778469147087444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/4127778469147087444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/06/perspectiva-as-vezes-engana.html' title='Perspectiva às vezes engana'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SkFjX1g2x7I/AAAAAAAACVc/ns6bUeETMD0/s72-c/MindprisondePaulBracey.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-9200664668268977398</id><published>2009-06-13T13:58:00.000-07:00</published><updated>2009-06-13T13:59:55.813-07:00</updated><title type='text'>Ego malhado</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Rlbxq1ydshI/AAAAAAAAAUg/R93Z63ABK_4/s1600-h/boriskossoy_DPedro.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Rlbxq1ydshI/AAAAAAAAAUg/R93Z63ABK_4/s320/boriskossoy_DPedro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5068504148947612178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;Foto Boris Kossoy. D. Pedro.&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente não é para si mesmo o que parece para os outros. A imagem que se imagina estar exibindo é quase sempre mais bonita, marcante, às vezes sedutora, porque era isso que se desejaria. Daí a ambição de tanta gente pelo "sucesso instantâneo", a fama, mesmo que seja à custa da própria dignidade e sossego. Mas quase sempre nossa disposição interior e nossa auto-imagem nos enganam.&lt;br /&gt;Mesmo o espelho é menos confiável do que parece, porque o que vemos refletido muitas vezes se beneficia de nosso olhar indulgente e idealizador, de nosso desejo de agradar, de nossa incrível fragilidade diante da ilusão.&lt;br /&gt;E se é assim para a imagem visível, exterior, imagina o conceito que fazemos de nossa inteligência, talento, personalidade e caráter! Expressão disso é a velha frase "sabe com quem está falando?"&lt;br /&gt;Com quem será que o outro está falando? Com o cidadão mediano e banal a sua frente, ou com o excelso cavalheiro que o próprio se imagina? A famosa frase é sempre lembrada nos momentos em que o ego está arranhado, e se há coisa que ego não agüenta é que se ponha em dúvida sua excelência, seu poder e importância.&lt;br /&gt;Meu ego não é melhor que o de ninguém. Nas horas mais críticas, quer se fazer valer na base do confronto. Faz parte.&lt;br /&gt;Mas essa porção perigosamente arrogante que a gente carrega precisa de rédeas e freio. Ego é como cavalo (puro-sangue, vá lá) – precisa ser bem tratado para ficar manso e em paz e dar conta de seu recado, isto é, defender o melhor possível a imagem de seu amo.&lt;br /&gt;Além de tudo, preciso dele. Todo mundo precisa de um ego saudável pra não se sentir descendo pelo ralo. Em condições normais, o ego é um grande sujeito, sempre pronto a te animar, incentivar, alimentar a auto-estima. Tendo em vista seu gênio irascível, porém, fiz um pacto com ele: cada vez que conseguir se segurar sem pagar mico nos momentos difíceis, dou-lhe um presente. Ego é como criança: gosta de bombom, biscoito, sorvete de chocolate (nesse particular, ele já sabe que a recompensa é racionada, muito mais qualidade do que quantidade). Gosta de ambientes acolhedores, almofadas macias, gente carinhosa. Gosta de um bom filme, boa música, sair pra jantar fora. Adora surpresas.&lt;br /&gt;O trato quase sempre funciona. Com grande vantagem para mim, uma vez que o ego e eu somos indissociáveis e temos o mesmo gosto. Minha vida ficou bem mais divertida. E esse resultado foi só o mais visível. Por tabela, melhorei a qualidade das amizades, consegui superar situações estressantes sem me machucar e – eureca! – fortaleci meu ego sem deixá-lo mimado. Aprendemos juntos que viver bem é muito melhor que correr atrás de qualquer vantagem ou sucesso. E quando ele começa a querer viajar na maionese, puxo-o pelo suspensório ridículo que não abandona nunca. Aí ele volta uns passos atrás e me olha com ar contrito. "Já sei" – diz com uma voz que só eu posso ouvir. "Extrapolei. Peço desculpas. Pronto, já estou de novo no tamanho que você gosta. Mas por favor, não me faz perder a sessão das oito. Eu juro que não faço mais."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-9200664668268977398?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/9200664668268977398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=9200664668268977398' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/9200664668268977398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/9200664668268977398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/06/ego-malhado.html' title='Ego malhado'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Rlbxq1ydshI/AAAAAAAAAUg/R93Z63ABK_4/s72-c/boriskossoy_DPedro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-8813189789358763700</id><published>2009-06-04T16:28:00.000-07:00</published><updated>2009-06-04T16:52:38.406-07:00</updated><title type='text'>A liberdade doente</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SihdLKuTeRI/AAAAAAAACTQ/9rkbbv9aYFA/s1600-h/bey+harrison.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 298px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SihdLKuTeRI/AAAAAAAACTQ/9rkbbv9aYFA/s320/bey+harrison.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343623404313606418" /&gt;&lt;/a&gt;Os convites para sites de relacionamento e chat, que chegam todo dia no e-mail da gente, em geral vêm em nome de alguém de nossa lista que pode não ser o autor da mensagem. Não são somente os vírus e spams declarados que chegam assim. Vêm em tom invasivo e falsamente descontraído, mas não passam de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;marketing&lt;/span&gt; descarado, já tão incorporado a nosso dia-a-dia que às vezes nem nos damos conta. Por que estranhos a léguas de distância estariam preocupados em nos trazer de volta amigos extraviados ou antigos colegas de escola e de trabalho? Quase sempre o mesmo pretexto para oferecer produtos supérfluos, serviços que ninguém pediu e outras mercadorias perfunctórias, esse tipo de mídia eletrônica onde piscam mil e um patrocínios de construtoras, lojas, hotéis, carros, utilidades, inutilidades, garotos(as) ou amigos de programa, que em certos casos pagam para se ofertar via internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez mais forças externas tentam dirigir os atos que deveriam ser de iniciativa exclusiva de cada um. Isso lembra muito &lt;span style="font-style:italic;"&gt;1984&lt;/span&gt;, de George Orwell, ou &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Admirável mundo novo&lt;/span&gt;, de Aldous Huxley. Outro dia, revendo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Zorba, o Grego&lt;/span&gt; (que filme!), e vendo os camponeses de Creta esperando a morte de Hortense para saquear sua casa, pensava na analogia entre aquela cena e a constante intrusão de empresas e pessoas que insistem em nos convencer de que o melhor para nós é o que eles querem – e eles sempre querem nos passar alguma coisa em troca de nosso dinheiro e/ou nossa submissão para fomentar seu poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conta dessa luta de interesses, que se disfarça de luta de ideias, este mundo às vezes parece um grande manicômio. O inconsciente coletivo virou um amontoado de noções sem fundamento e preconceitos distorcidos explorados por aventureiros. Diante destes, os sofistas da antiga Grécia eram seres sem malícia. Nos anos 1960 passamos por um período em que as ideologias se digladiavam e geravam debates e contendas sem fim. Agora porém as ideias e visões de mundo chegam aos pedaços, mal assimiladas e achacadas pelo mercado, pelos políticos e por aquele tipo de gente que corre atrás da fama a qualquer preço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lado virtuoso da comunicação em tempo real, que chega da televisão e da internet, traz em seu bojo dois vícios capazes de anular grande parte das vantagens de tanta rapidez: a informação chega muitas vezes mal elaborada e quem a recebe na outra ponta quase sempre deturpa seu sentido, por estar mal preparado ou desinformado de dados anteriores, sem os quais a notícia perde seu sentido principal. Diante disso, a mentalidade do público em geral flutua entre juízos precipitados e dúvidas sem resposta; e grande parte das pessoas desiste de entender e se acomoda na alienação, ou então assume uma atitude irracional diante dos acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez tenha chegado a hora de reunir de novo na praça os pensadores, os artistas e o povo, como faziam os antigos gregos na ágora. Quem sabe ainda se consegue plantar em nossas cabeças a semente de uma reflexão sem compromisso com os interesses do dinheiro, do poder e da violência? A liberdade humana é um conceito pouco claro, porque, em qualquer caso, é sempre muito limitada. Mas sem essa reflexão, a liberdade de cada um de nós se reduz a miragem, palavra vazia do vocabulário politicamente correto, e só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foto Bey Harrison.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-8813189789358763700?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/8813189789358763700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=8813189789358763700' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/8813189789358763700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/8813189789358763700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/06/liberdade-doente.html' title='A liberdade doente'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SihdLKuTeRI/AAAAAAAACTQ/9rkbbv9aYFA/s72-c/bey+harrison.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-1145020547864040822</id><published>2009-05-28T16:12:00.000-07:00</published><updated>2009-05-29T15:55:14.281-07:00</updated><title type='text'>A vida não é cruel, crueis são os seres vivos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Sh8dY8_Fm1I/AAAAAAAACRQ/bg295pvjdWc/s1600-h/simonal-cartaz.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 228px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Sh8dY8_Fm1I/AAAAAAAACRQ/bg295pvjdWc/s320/simonal-cartaz.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341019997609499474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em tempos de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;mea culpa&lt;/span&gt;, os inocentes sofrem por tabela. Bom, não sei se inocente será a palavra certa neste caso, porque de inocentes nós, adultos, não temos nada. Nem nunca tivemos, que Adão e Eva não me deixem mentir. Por outro lado, a Bíblia e a literatura, oriental e ocidental, estão recheadas de narrativas sobre traições, inveja, calúnias e personagens desconstruídos pela malícia de inimigos ou supostos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há casos tão pungentes, porém, que parecem respingar em nós, mesmo separados por décadas dos envolvidos. Como todo mundo já sacou, estou falando de Wilson Simonal, que agora ocupa as primeiras páginas da mídia impressa e os noticiários de televisão, além dos sites mais badalados da internet. O que aconteceu com ele foi um exemplo assustador e paradigmático das voltas que a vida pode dar. Os motivos, assim à primeira vista, parecem envolver, de um lado, fanfarronice, muita vaidade e deslumbramento, e de outro, muita inveja, ódio e oportunismo político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada poderia ser mais esclarecedor sobre o caso Simonal que o documentário dirigido com talento e isenção pelo "Casseta" Claudio Manoel, junto com Calvito Leal e Micael Langer. Um bom trabalho jornalístico, bem documentado, com uma visão tão equilibrada quanto possível do caso e uma dose de compaixão pelo sofrimento humano que encerra – além da intenção, justa e bem-sucedida, de reafirmar o valor artístico de nosso primeiro grande astro pop para as gerações que nem ouviram falar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme está no &lt;a href="http://twitter.com/simonalofilme"&gt;Twitter&lt;/a&gt; e praticamente em todos os sites de jornalismo e informação da rede. Há uma boa &lt;a href="http://www.sidneyrezende.com/noticia/40907+claudio+manoel+revela+detalhes+de+documentario+de+wilson+simonal"&gt;entrevista de Claudio Manuel&lt;/a&gt;, um dos diretores do filme, no Esquina da Música, que traz também uma ótima &lt;a href="http://www.sidneyrezende.com/noticia/40486+ascensao+e+queda+de+um+mito+em+90+minutos"&gt;coluna de Luiz Felipe Carneiro&lt;/a&gt; sobre a produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;a href="http://www.cinemanacional.blogger.com.br/"&gt;Cinema Nacional&lt;/a&gt;, encontra-se um texto bem esclarecedor sobre algumas pessoas envolvidas e detalhes da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistir à tragédia de Simonal – filho de uma doméstica, sem escola nem preparo, que muito depressa e por seu próprio talento se tornou o primeiro negro a alcançar um sucesso absoluto de público e crítica nunca visto no Brasil dos anos 1960 – é perceber cruamente até que ponto o deslumbramento diante da fama pode desconstruir um sucesso que se julgava indestrutível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história de Simonal é incômoda e doi, porque de algum modo faz seus contemporâneos se sentirem um pouco cúmplices de sua desgraça. Ou, num plano mais obscuro, leva as pessoas a perceberem o estranhamento da ameaça do que pode atingir qualquer um de nós, vindo de onde menos se espera. Até aqueles que antes o bajulavam ouviram e leram as acusações contra ele passivamente. E ainda que não tivessem meios de conhecer o outro lado das notícias (já que os tempos eram sombrios e a censura comia solta), nem pestanejaram em aceitá-las ou simplesmente passaram batidos pelo lugar do fogo cruzado e trataram de esquecer o ídolo, ajudando a enterrá-lo na depressão que acabou por jogá-lo no alcoolismo e na morte prematura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A surra encomendada contra o contador do artista, Raphael Viviani, que supostamente andava metendo a mão em seu dinheiro, e a tortura que ele sofreu no recinto do temível DOPS, agravadas pelo narcisismo ingênuo do cantor, se encarregaram do resto, quando ele se gabou de ser “amigo dos homens”, num tempo em que a ditadura militar já perdera o apoio de muitos simpatizantes e só o medo a mantinha de pé.* O engajamento de Simonal era antes de tudo com a música, seu trabalho e seu talento, além da dedicação a um movimento negro ainda disperso e não institucional, que seus inimigos deixaram esquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Régis Tadeu, do Yahoo Notícias, escreveu uma boa &lt;a href="http://br.noticias.yahoo.com/s/25052009/48/entretenimento-wilson-simonal-merece-redencao.html"&gt;coluna&lt;/a&gt; sobre a história de Simonal, e chama a atenção para detalhes que vale a pena lembrar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-1145020547864040822?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/1145020547864040822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=1145020547864040822' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/1145020547864040822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/1145020547864040822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/05/vida-nao-e-cruel-crueis-sao-os-seres.html' title='A vida não é cruel, crueis são os seres vivos'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Sh8dY8_Fm1I/AAAAAAAACRQ/bg295pvjdWc/s72-c/simonal-cartaz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-7938506113218731188</id><published>2009-05-21T10:47:00.000-07:00</published><updated>2009-05-21T11:15:47.277-07:00</updated><title type='text'>Pequenos nadas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/ShWWJhlkEoI/AAAAAAAACPs/gBKnPVRSq8s/s1600-h/Vasilis+Artikos+birds-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 217px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/ShWWJhlkEoI/AAAAAAAACPs/gBKnPVRSq8s/s320/Vasilis+Artikos+birds-1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338338023696503426" /&gt;&lt;/a&gt;...&lt;br /&gt;&lt;em&gt;se vieres à minha procura&lt;br /&gt;vem devagar e suavemente para não quebrar a porcelana da minha solidão.&lt;br /&gt;Sohrab Sepehry. Irã, 1928-80.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros além do poeta iraniano já disseram, em palavras diferentes, que abordar uma pessoa não é para qualquer um. A começar pelo modo como se acorda quem está adormecido, evitando uma transição muito brusca do sono para a vigília, que faz disparar o coração de susto e começar mal o dia. A não ser no caso de dorminhocos notórios e contumazes, basta um leve toque, uma chamada em voz baixa, e quem estava dormindo acorda sem traumas.&lt;br /&gt;Chamar alguém aos gritos é, mais que uma questão de educação, uma agressão sem motivo. Excetuando-se as situações-limite, como estar preso por dentro, ameaçado de cair da janela ou com a casa em chamas, ninguém precisa pôr a boca no mundo para chamar a atenção dos outros.&lt;br /&gt;Em circunstâncias normais, as pessoas gostam de ser lembradas e procuradas, mas nunca perturbadas por um chato inconveniente. Igualmente incômodo é ser lembrado sempre com intenções utilitárias, como empréstimos de coisas ou dinheiro (argh!), pequenos serviços que não nos competem ou pedidos que às vezes se tornam um transtorno para quem precisa obedecer a horários apertados ou desviar-se de seu rumo para atender ao pidão.&lt;br /&gt;Pouca gente hoje em dia ainda se sente obrigada a aceitar encargos que não lhe digam respeito. Deixou de ser embaraçoso dizer “não”, ao menos para quem vive nas cidades e tem o tempo contado para suas próprias obrigações, mais escasso ainda para seu lazer e o cuidado de si. Mas ainda existe gente, tímida ou inadaptada aos hábitos urbanos, que não tem coragem de se negar a fazer o que lhe pedem. Às vezes viram verdadeiros servidores do outro. E sofrem por isso de um modo insuspeitado.&lt;br /&gt;A abordagem amorosa é um caso aparte, mas nem por isso pode invadir a privacidade do ser amado, como se amar desse carta-branca para ignorar a necessidade que todo mundo tem de um tempo só para si. Nesse caso, mais que em qualquer outro, o respeito à solidão do parceiro pode fazer crescer o amor, um sentimento cada vez mais raro e valioso, que todos desejam mas nem todos experimentam e praticam de verdade.&lt;br /&gt;Quanto mais íntimo se fica de alguém, mais é preciso estar atento ao tempo de que esse alguém necessita para respirar, cultivar sua paz interior ou refletir e tomar decisões sobre seus problemas. Quando o ser amado não preza nem mesmo seus próprios momentos de solidão e parece ter horror a ficar sozinho, ao menos um pouco todos os dias, pode ser que a porcelana de que fala o poeta esteja quebrada. E porcelana não dá pra colar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Foto Vasilis Artikos.&lt;/span&gt; Birds.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-7938506113218731188?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/7938506113218731188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=7938506113218731188' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/7938506113218731188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/7938506113218731188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/05/pequenos-nadas.html' title='Pequenos nadas'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/ShWWJhlkEoI/AAAAAAAACPs/gBKnPVRSq8s/s72-c/Vasilis+Artikos+birds-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-1606228729324532928</id><published>2009-05-14T14:43:00.001-07:00</published><updated>2009-05-14T14:56:45.854-07:00</updated><title type='text'>Correr atrás</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SgyTcGanmFI/AAAAAAAACNM/QboaGjLnrnE/s1600-h/1marmur+_mulher_so.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 274px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SgyTcGanmFI/AAAAAAAACNM/QboaGjLnrnE/s320/1marmur+_mulher_so.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335801769495074898" /&gt;&lt;/a&gt;É bom suspeitar das certezas que nos impedem de seguir caminhos, quebrar hábitos e nos afastam das pessoas. Depois de se cristalizarem em hábitos de rotina, já não são certezas, são restos – melhor reavaliar e, se for o caso, jogar fora.&lt;br /&gt;Não analisamos as convicções pré-fabricadas. Agimos como se determinados princípios, conceitos ou simplesmente hábitos fossem cláusulas pétreas. Acontece que nada tem validade eterna. O tempo muda, o mundo tem uma cara nova a cada ano, cada semana, cada dia. E às vezes a resposta a algumas questões que nos atam ao padrão de comportamento que acreditávamos ser o melhor está bem diante de nossos olhos, mas não a percebemos porque nossa censura interior não deixa ou simplesmente porque já mergulhamos numa letargia chamada rotina que nos pacifica sem intervenção de nossa vontade. Ora, é bom desconfiar de princípios que criam limites intransponíveis. É bom ficar atento, porque se a inércia tomar conta de nós é sinal de que estamos desperdiçando coisa ainda mais valiosa do que a água – nossa própria vida, bem finito e sem reposição.&lt;br /&gt;Ninguém é obrigado a fazer o que não deseja. É justamente o oposto: não ser maria-vai-com-as-outras, e sim ver claro até onde nosso próprio desejo pode chegar e até que ponto estamos perdendo a oportunidade de viver melhor. Confundimos personalidade com resistência, força de caráter com teimosia, bons hábitos com mesmice, e o resultado é que vivemos numa espécie de marasmo espiritual que nos impede qualquer ação fora dos padrões vigentes de nosso comportamento.&lt;br /&gt;E no entanto toda pessoa é capaz de criar alguma coisa com sua marca. Cada um pode viver mais plenamente se apenas entregar ao mundo uma contribuição sua, pessoal, que ninguém mais poderia dar. Pode ser uma comida mais saborosa, um trabalho artístico ou artesanal, uma atividade social ou profissional levada com o empenho de quem quer fazer o melhor. Importa sim fazer o melhor que se pode. Não para competir ou ganhar medalhas, que às vezes nunca chegam para quem mais as merece, mas para satisfazer à necessidade que é um dos diferenciais da pessoa humana: criar alguma coisa sua, que seja capaz de abrir um espaço de dedicação e interesse maior em sua vida.&lt;br /&gt;O pensamento criativo não tem razão externa aparente nem segue programas ou canais preestabelecidos: é natural como nascer, como fazer amor. Pensamento criativo é pura paixão. Mas é preciso deixar que ele flua, dar asas à paixão; ouvir sua voz dentro de si e agir para que dê frutos. Ver a própria produção como coisa concreta e real é um prazer que incentiva a doce ousadia de apresentá-la aos olhos alheios – e talvez vê-la devidamente bem-recebida. Vale a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-1606228729324532928?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/1606228729324532928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=1606228729324532928' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/1606228729324532928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/1606228729324532928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/05/correr-atras.html' title='Correr atrás'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SgyTcGanmFI/AAAAAAAACNM/QboaGjLnrnE/s72-c/1marmur+_mulher_so.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-3122255550954475533</id><published>2009-05-07T08:39:00.000-07:00</published><updated>2009-05-07T09:15:28.036-07:00</updated><title type='text'>Blogs, agregadores e o colarinho do chope</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SgMEAG8wGsI/AAAAAAAACL4/gAa42ghUKNU/s1600-h/inseto2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SgMEAG8wGsI/AAAAAAAACL4/gAa42ghUKNU/s320/inseto2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333110783648733890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blogs são páginas (ainda) pessoais em que alguém diz o que quer pra quem quiser ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isso, fica decretado que todo mundo com acesso à internet pode ter um. Isso teve acima de tudo o efeito de divulgar o trabalho de pessoas que, de outro modo, levariam décadas, talvez toda uma vida, pra se tornarem medianamente conhecidas de públicos específicos, interessados em atualidades, literatura, artes visuais etc. ou do público em geral.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A ideia do “diário virtual”, de que se falava como uma definição do que seria um blog, rapidamente foi ganhando outras nuances, porque nem tudo na blogosfera é diário de adolescentes ou gente sem muito o que fazer na vida – embora isso ainda exista em grande número. Muitos dos usuários desses sites queriam e querem mesmo é botar o blog na rua, mostrar o que sabem fazer, tentar publicar livros, entrar em contato com grupos de seu interesse ou vender produtos. De qualquer modo, os blogs ainda servem como testemunhos dos costumes, crenças e tendências dominantes de uma época. E muitos deles têm objetivos bem úteis, em nosso país pouco dotado no setor de educação e cultura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do advento dos orkuts da vida, tanto os interesses comerciais como os sociais ganharam outra força e outras ferramentas, mas os blogs subsistem. Acredito que ainda tenham uma vida longa, embora com perfis cada vez mais específicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SgMEp39wxeI/AAAAAAAACMA/3OZ8vhOnmp0/s1600-h/mafalda_ind2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 279px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SgMEp39wxeI/AAAAAAAACMA/3OZ8vhOnmp0/s320/mafalda_ind2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333111501180945890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora chegaram os chamados agregadores. Servem para divulgar gente, notícias, links para divulgação, negociantes de olho vivo nas mídias que podem ajudá-los a vender e uma poeira de estrelas sem muito que fazer além de ficar na onda e ser vista de alguma forma. Parece que não ser visto é o pior opróbrio de nosso tempo, um vexame que ninguém quer sofrer. Não vamos discutir isso, embora me deixe meio grilada, porque não consigo entender por que substituir bem-estar por visibilidade (e notem que nem falo de felicidade, um conceito mais fluido e subjetivo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Twitter e afins são úteis pra muita gente. Só é preciso saber procurar – como acontece com quase tudo na vida – onde está o que efetivamente interessa, e não o que vai servir de mero fermento para o bolo dos seguidores. Por enquanto, estamos na fase da espuma, o chope sendo tirado do barril, uma certa euforia que respinga em todo mundo e leva a experimentar o novo instrumento de comunicação, mesmo que a rigor não se precise dele para um fim determinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os blogs ficam meio na penumbra. O mecanismo de seguidores, que ora domina os aficcionados, torna menos importante comentar, saber do que um texto realmente trata, e torna a leitura menos importante. Isso é chato, acho que é o lado menos cheiroso dos agregadores, dos quais o comando "seguir" é o braço mais forte. Esperemos baixar o colarinho de nosso chope pra ver como fica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-3122255550954475533?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/3122255550954475533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=3122255550954475533' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/3122255550954475533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/3122255550954475533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/05/blogs-e-agregadores.html' title='Blogs, agregadores e o colarinho do chope'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SgMEAG8wGsI/AAAAAAAACL4/gAa42ghUKNU/s72-c/inseto2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-7367654115845762145</id><published>2009-04-30T07:34:00.000-07:00</published><updated>2009-04-30T08:27:18.656-07:00</updated><title type='text'>Paz, sinal de vida</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SfnBMlaE9pI/AAAAAAAACKo/GajmbAOiRt0/s1600-h/gandhi_lennon_king_che.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 244px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SfnBMlaE9pI/AAAAAAAACKo/GajmbAOiRt0/s320/gandhi_lennon_king_che.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330504055913772690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um tipo de paz que não depende muito do que acontece em volta de nós é a chamada paz interior. E que coisa será essa, a paz interior? Será que não somos sempre um reflexo do que está a nossa volta? Não funcionamos sempre como um espelho do ambiente em que vivemos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em grande parte, sim, é claro. Refletimos a agitação, a pressa e o estresse do mundo em que estamos mergulhados e do qual participamos. Principalmente para quem vive nas grandes cidades, fica difícil ou impossível fugir ao agito do trânsito, dos horários apertados, do entendimento difícil entre as pessoas e da violência que, mesmo quando não é explícita, está sempre latente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, em que consiste essa coisa de paz interior? Os mais estressadinhos vão logo descartando a expressão como uma bobagem, uma utopia entre tantas. O mundo vive em guerra, são muitas as guerras que constantemente nos assolam. Mesmo longe de nós, uma guerra persistente e complicada como a do Iraque ou a que se instalou no Oriente Médio, os choques frequentes entre grupos antagônicos, nos países próximos de nós e no próprio Brasil, por exemplo, chegam sem parar pelo noticiário da mídia, por comentários a nossa volta, pela internet. Mesmo supondo que não houvesse guerras em algum momento, a memória e os ecos de conflitos passados seriam suficientes para nos mostrar que o ser humano é belicoso e sempre insatisfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio de tumultos e até no próprio cenário dos confrontos, no entanto, há pessoas surpreendentemente pacíficas. Pensou em Nelson Mandela? Em Gandhi? No Dalai Lama? Em dom Hélder Câmara ou Martin Luther King?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns nomes, mais conhecidos por suas atividades profissionais ou artísticas, também foram ou são grandes amigos da paz – Einstein, Oscar Wilde, Nietzsche ou John Lennon; alguns são menos conhecidos, como Uri Avnery, jornalista e líder do Bloco da Paz; Nurit Peled-Elhanan, professora de literatura comparada da Universidade Hebraica de Jerusalém e uma das fundadoras da associação Bereaved Families for Peace; o sociólogo polonês Zigmut Balman, autor de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Modernidade Líquida&lt;/span&gt;, cujo pensamento vale a pena conhecer; o diplomata brasileiro tragicamente morto em seu posto de trabalho, Sérgio Vieira de Mello, fervoroso humanista e defensor da democracia, e mais uma infinidade de pessoas de todas as nacionalidades, cujos nomes ignoramos ou de quem pouco ouvimos falar, que vivem e trabalham pela paz com suas atitudes, atos e palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que essas pessoas são capazes de criar ilhas de paz até em ambientes subvertidos e destroçados pelas guerras mais violentas? O que lhes dá força para sustentar essa luta diária, incessante, pela instauração da paz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SfnDNwM5IkI/AAAAAAAACKw/GtNxkOJvlxU/s1600-h/dikeda.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 202px; height: 245px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SfnDNwM5IkI/AAAAAAAACKw/GtNxkOJvlxU/s320/dikeda.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330506275014386242" /&gt;&lt;/a&gt;Daisaku Ikeda, um japonês de 81 anos, pacifista militante desde os 19, presidente do movimento Soka Gakkai, tem uma frase que me parece nuclear para entender o que significa paz interior: "A morte não é a maior tragédia do ser humano; é pior quando algo vital dentro da pessoa morre enquanto ela ainda está viva. Essa morte é certamente a coisa mais temível e trágica." Isso quer dizer que é preciso estar meio morto para impedir ou nada fazer para que as condições necessárias à paz se tornem uma realidade. Daí se pode concluir, sem muito risco de errar, que vivemos cercados de mortos-vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem pensa, deseja ou consuma a morte do outro por interesse ou revanche; quem resolve seus conflitos ou impasses por meio da violência e da destruição; quem agride por qualquer motivo, quem se julga acima do bem e do mal; quem ainda se acha melhor ou mais importante que o resto dos mortais; quem não hesita em ir às últimas consequências para conseguir o que lhe parece direito seu; quem ignora o bem-estar alheio e agride os sentidos dos vizinhos com o som aos berros, sua falta de higiene ou dizendo o que quer e não suportando ouvir o que não quer; quem interfere futilmente na vida alheia e não leva em conta os direitos do outro, esses são exemplos clássicos de mortos-vivos. Não se trata de mera delicadeza ou refinamento, considerados por muitos como frescura. Trata-se de concretamente pensar nas consequências desagradáveis ou desagregadoras de seus atos, no prejuízo ou incômodo – às vezes desproporcionalmente maiores – que esses atos vão causar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Sfm_7wZvk3I/AAAAAAAACKg/uBctM4vkvEA/s1600-h/homem_aranha_saltando.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 248px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Sfm_7wZvk3I/AAAAAAAACKg/uBctM4vkvEA/s320/homem_aranha_saltando.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330502667295757170" /&gt;&lt;/a&gt;Ser pacífico não é ser medroso nem covarde. Pra ser pacífico, é preciso ser muito homem (mesmo sendo mulher), porque certamente se vai enfrentar o sarcasmo dos mortos-vivos e até sua antipatia e possíveis represálias. No mínimo, ser considerado um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;frouxo&lt;/span&gt; e continuar, em paz, em seu caminho, requer uma coragem acima da média. Mas em termos de paz interior, sempre compensa saber refletir, pensar antes de falar ou agir, ser solidário com quem precisa de apoio para se levantar. E a prova maior de que esse é o melhor do ser humano é a imagem do super-heroi, que vem da Antiguidade, e continua a existir. Mesmo que alguns deles tenham sido sequelados pela violência desenfreada de nosso mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-7367654115845762145?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/7367654115845762145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=7367654115845762145' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/7367654115845762145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/7367654115845762145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/04/os-mortos-vivos.html' title='Paz, sinal de vida'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SfnBMlaE9pI/AAAAAAAACKo/GajmbAOiRt0/s72-c/gandhi_lennon_king_che.gif' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-8816656228359889970</id><published>2009-04-22T10:55:00.000-07:00</published><updated>2009-04-22T11:18:04.033-07:00</updated><title type='text'>Assuntos de família</title><content type='html'>Dia Metral vivia mergulhado em suas lucubrações. Era um tipo radical, fechadão e de poucos amigos. Desde os tempos de escola, nunca admitiu ser contrariado ou desmentido em nada, embora sistematicamente contrariasse todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se apaixonou por uma vizinha, moça muito dócil, e decidiu que se casaria com ela, foi vapt-vupt: em dois meses eram marido e mulher. A senhora Metral, que se chamava Peri, agora Peri Metral, mantinha a calma em qualquer situação e tentava resolver tudo na conversa. Contornava as situações com muito tato e diplomacia. Evitava brigas com vizinhos que contrariavam Dia e amansava-o com jantares e sobremesas deliciosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rabujice e a teimosia de Metral no entanto começavam a incomodar a pobre mulher além da conta. Tentou discutir a relação com ele, mas a resposta foi um taxativo vai pra cozinha. Peri, que nunca tomava decisões impensadas e contornava todas as dificuldades, foi ficando como se diz por aí cheia de tanto radicalismo e acabou pedindo o divórcio. Dia Metral ficou azul, roxo, vermelho e depois deu um murro na mesa. Peri correu para o quarto com medo dele, mas conseguiu o que queria: deixou de ser Peri Metral e voltou a usar o nome dos pais, senhor e senhora Frase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Se9e5ndfN7I/AAAAAAAACI4/KHpYM27OZgQ/s1600-h/cruise-holmes-GQ.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Se9e5ndfN7I/AAAAAAAACI4/KHpYM27OZgQ/s320/cruise-holmes-GQ.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5327581228140804018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Peri Frase não demorou muito a encontrar outro marido, o cordato Circunlóquio, que se tornou o homem de sua vida e com quem teve uma ninhada de filhos encantadores e prolixos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a Dia Metral, após dez anos de solidão, encontrou enfim a musa de seus sonhos e não perdeu tempo: casou com ela e viveram brigando para sempre como cão e gato. A nova paixão se chamava O. Posta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-8816656228359889970?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/8816656228359889970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=8816656228359889970' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/8816656228359889970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/8816656228359889970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/04/assuntos-de-familia.html' title='Assuntos de família'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Se9e5ndfN7I/AAAAAAAACI4/KHpYM27OZgQ/s72-c/cruise-holmes-GQ.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-3408729292947425213</id><published>2009-04-09T15:38:00.000-07:00</published><updated>2009-04-09T15:41:46.811-07:00</updated><title type='text'>Ela</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Sd55pMOi-UI/AAAAAAAACGo/GnCY-aVBTg8/s1600-h/antoniojr_nosilenciodanoitebligigcombr.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 255px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Sd55pMOi-UI/AAAAAAAACGo/GnCY-aVBTg8/s320/antoniojr_nosilenciodanoitebligigcombr.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322825558162340162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe quando tudo te interessa e de repente, não mais que, deixa de interessar, assim no atacado? Pode ser leve ou heavy, mas é a famosa deprê.&lt;br /&gt;Não dá pra brincar com ela. Sabe gato que às vezes surta e te mete dentes e unhas? A diferença é que gato você faz assepsia das feridas e toca a vida numa boa. O mesmo porém não se dá com a supracitada. Digamos assim como um gato hidrófobo, mas de uma raiva mansa, apagada, toda recolhida dentro de teu tubo digestivo, no oco do músculo cardíaco, devagar se espraiando pelas enzimas e apagando sinapses. Ou não. Pode saltar, agitar todos os sistemas, te deixar alterado, acelerado, atento a tudo e a todos enquanto desmorona num vazio de dentro, maninho, derrubado, carcomido, e quanto mais agita mais se demole, até cair feito fantoche sem ninguém pra mover os fios, boneco de ventríloquo sem o amo pra falar por ele.&lt;br /&gt;Se dá pra morrer? Depende. Que dá, dá sim, não vou te enganar. Mas é lento, sofrido, dói muito. Tipo suicídio, sempre, mas pode ser ativo (você mete a cabeça no forno quem nem a Sílvia Plath fez, corta os pulsos ou entra no rio com os bolsos cheios de pedras, feito Virginia) ou passivo (mais comum úlcera gástrica, duodenal, enfarte, pneumonia fulminante, tuberculose braba ou câncer metastásico generalizado).&lt;br /&gt;Mas pode ser branda, de duração menos ou mais longa. Sempre muito triste. Sempre sofrida porque te deixa a pé, te corta do tempo, da vida, te desliga do próximo, que fica distante léguas e léguas. Tira a vontade, sabe como? Nem banho, nem comida. Sair então, nem pensar. Um peso branco que te trava todo e nem te dá vontade de morrer, razão pela qual você continua vivo, mas assim, a contragosto. Aliás, depressão é contragosto mais do que desgosto. Desgosto supõe algum élan vital e em geral tem uma explicação. Ela não, ela vem e senta nos teus movimentos, os pensamentos ficam aguados, você quase não fala. Você chora. Nem Deus sabe por quê, mas você chora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-3408729292947425213?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/3408729292947425213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=3408729292947425213' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/3408729292947425213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/3408729292947425213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/04/ela.html' title='Ela'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/Sd55pMOi-UI/AAAAAAAACGo/GnCY-aVBTg8/s72-c/antoniojr_nosilenciodanoitebligigcombr.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-604667508082293407.post-3456417658924782770</id><published>2009-04-02T12:13:00.001-07:00</published><updated>2009-04-03T15:59:47.877-07:00</updated><title type='text'>O gato, o lobo, o menino e Mary Sarojini e seu mainá</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SdURmeOjvbI/AAAAAAAACFA/XU9IZRdZoyo/s1600-h/nosultimosraiosdesol_antoniomelo_2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 225px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SdURmeOjvbI/AAAAAAAACFA/XU9IZRdZoyo/s320/nosultimosraiosdesol_antoniomelo_2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320177887454936498" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;Foto Antônio Melo. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nos últimos raios de sol&lt;/span&gt;.&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coluna de João Pereira Coutinho, na &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Folha de São Paulo&lt;/span&gt; de 31 de março, fez lembrar &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O filho eterno&lt;/span&gt;, de Cristovão Tezza, e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A ilha&lt;/span&gt;, de Aldoux Huxley, relido em março.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema de Coutinho, aprender dos animais, trata de nossa fuga sistemática ao presente, que diluímos entre a bagagem da memória e a ansiedade pelo futuro, deixando para o momento que se vive apenas um naco de atenção e a quase impossibilidade de ser feliz. Explicar isso equivale a dizer que é impossível ser feliz no passado ou no futuro, porque  felicidade, queridas pessoas, ou se vive agora, ou não se vive. Existem, sim, a nostalgia da felicidade ou o desejo de ser feliz, mas nenhum dos dois pode ser considerado felicidade propriamente dita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“(...) compre um gato”, preconiza o colunista. “Ele não espera nada, ele não deseja nada. A felicidade, para ele, não existe por adição (...). Mas por repetição: ele repete as experiências que são significativas. E, em cada repetição, existe a certeza da mesma felicidade.” Mais adiante, Coutinho relata a experiência do professor inglês Mark Rowlands, que comprou um lobo, domesticou-o (depois de ver destruída metade de seus móveis e objetos) e conviveu com ele durante 11 anos, levando o animal até para as aulas na universidade. O relato está em “O filósofo e o lobo: lições do selvagem sobre amor, morte e felicidade”, livro ainda não traduzido por aqui, e segundo a crônica “uma longa meditação sobre a natureza da felicidade humana. Ou, se preferirem, sobre a sua impossibilidade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se o texto de Rowlands envolve um viés metafísico, no caso do romance premiadíssimo de Tezza o assunto fica restrito a uma experiência existencial, em que seu filho, portador da síndrome de Down, recebido pelo pai como empecilho a uma dinâmica de vida e trabalho normais, termina por “ensinar” o significado desse presente sem misturas de que falava Coutinho. Nada tipo livro de autoajuda. Aqui se trata de uma pessoa humana, que por uma deficiência neurológica está impossibilitada da constante referência ao passado, assim como da construção inesgotável de planos e projeções que a tirem do presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em comum com o gato e o lobo, há um presente “puro”, isento de elementos que o fraturem; mas diferente dos animais, há uma sensibilidade a ser trabalhada e a educação da atividade motora, visando conseguir alguma autonomia física, além de uma afetividade peculiar, que precisa ser atentamente orientada. É um conjunto de métodos e dedicação que busca ajustar o menino a seu meio: repete indefinidamente as experiências que o levarão a adotar o melhor modo de agir, e nisso a família e os instrutores têm um papel fundamental. Não há superproteção, mas estímulos continuados sem descanso. Em outras palavras, o condicionamento não acontece simplesmente por uma compensação fisiológica &lt;span style="font-style:italic;"&gt;à la&lt;/span&gt; Pavlov, como com os animais, mas por uma série de experiências que não privilegiam a memória, e sim todo o corpo; uma repetição constante que afinal o levará a agir de modo socialmente aceitável e a assimilar alguns conhecimentos de que irá precisar na vida adulta. Do fundo de seus limites, ele não entende, mas vive essa felicidade do momento, e é por ela que se abre caminho para a aceitação familiar e social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os personagens de Huxley, em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A ilha&lt;/span&gt;, agem na linha de um psicologismo que reforça o papel psicanalítico da terapia da palavra. Logo no início, quando a menina Mary Sarojini e seu irmão encontram Will, o protagonista e narrador do romance, muito ferido e taumatizado, ela põe em prática a cura pela palavra – uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;chimney-sweeping&lt;/span&gt;, como a chamava Ana O., a primeira paciente histérica de Freud. O procedimento da menina – uma “análise selvagem”, por assim dizer – pretende, e consegue, livrar o navegador dos traumas por que passou com o naufrágio de seu barco e a escalada pelas pedras, ferido e aterrorizado por serpentes ameaçadoras. Ao fundo, um mainá, pássaro da ilha, repete sem parar “Atenção”, “Vamos, rapazes, é agora”. Mary quebra a resistência de Will e o faz repetir tantas vezes quantas fossem necessárias o que havia acontecido, até que tudo ficasse relegado ao passado e ele se convencesse de que afinal estava livre para seguir o conselho do mainá no presente, único tempo que realmente precisa de toda a atenção disponível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que a conclusão lógica desses exemplos todos é que, excetuando os crentes extremados que preferem se abster de muitas alegrias terrenas em favor da vida eterna no Paraíso, continuamos interessados basicamente em conseguir a felicidade durante esta vida. É em torno desse desejo – e em contraponto da morte – que giram nossa razão, nossas pesquisas e a busca de conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento contemporâneo continua correndo atrás das condições que nos permitirão viver a vida de modo mais pleno, e portanto ser mais felizes, quando pintar uma chance de ser feliz. Não acontece todo dia. Nem é tão simples assim. Mas pode-se falar disso de outra vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/604667508082293407-3456417658924782770?l=obemomaleacolunadomeio.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/feeds/3456417658924782770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=604667508082293407&amp;postID=3456417658924782770' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/3456417658924782770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/604667508082293407/posts/default/3456417658924782770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obemomaleacolunadomeio.blogspot.com/2009/04/o-gato-o-lobo-o-menino-e-mary-sarojini.html' title='O gato, o lobo, o menino e Mary Sarojini e seu mainá'/><author><name>dade amorim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05032690517515543008</uri><email>dedaamorimo@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09522648865697842684'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2qCOyWvR5j0/SdURmeOjvbI/AAAAAAAACFA/XU9IZRdZoyo/s72-c/nosultimosraiosdesol_antoniomelo_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry></feed>